A F.U.D.O.S.I. foi formada em 1934 “para proteger as liturgias sagradas, ritos e doutrinas das Ordens iniciáticas tradicionais de serem apropriadas e profanadas por organizações clandestinas”. A F.U.D.O.S.I. não era uma Ordem, mas uma Federação Universal de Ordens e Sociedades esotéricas e autônomas, portanto, um órgão administrativo antes de tudo.

“Algumas pessoas, cujas mentes ainda não receberam luz suficiente, desejam saber por que era necessária uma Federação Universal. As Ordens e Sociedades Iniciáticas que, no seu próprio campo de trabalho, desfrutam da mais absoluta e completa liberdade e perfeita autonomia e independência. A esta questão nós podemos responder que, mais que qualquer outra coisa, está no trabalho iniciático que a maior vigilância é indispensável e que uma disciplina internacional estrita e ativa deve ser exercida.

Nós devemos reconhecer e lamentamos a existência de muitos falsos profetas e vários auto-proclamados iniciados que usam, para propósitos egoístas e tirânicos de dominação, o pretexto da iniciação para explorar as pessoas crédulas e sinceras. Era tempo de advertir o público contra estes falsos líderes e contra doutrinas nocivas que eles ensinaram às almas confiantes.

Em cada país, cada Ordem autêntica e regular conhece seus imitadores e tais falsos profetas. Era necessário vigiar estes movimentos clandestinos, expor estes impostores ou instrumentos ocultos e evitar sua força, em todos os países, onde quer que eles estejam operando, e assim evitar qualquer confusão entre as Ordens regulares e autênticas e as Organizações falsas que são prejudiciais ou que ofereçam ensinamentos que nada têm a ver com a Tradição Universal e o Esoterismo.

E também era necessário que as Ordens autênticas tivessem cuidado ao selecionar os seus membros e oficiais e manter os seus adeptos e estudantes no caminho correto das verdadeiras doutrinas, obrigando-os a seguir uma linha estrita de disciplina, trabalho racional, sincero e consciencioso, para evitar ensinamentos radicais e heterodoxia. Este imenso trabalho que era pretendido e que protegia as Ordens contra os seus inimigos internos e exteriores foi efetuado com sucesso pela F.U.D.O.S.I. e continua ocorrendo.” (Jornal da F.U.D.O.S.I., novembro de 1946)

 

Tuesday, February 28, 2006

A Rosacruz Hermética (Alquímica e Magicka)


Note bem, Ó meu Filho, e atente para este meu conselho e aviso, Ó tu que pela primeira vez neste dia, contemplastes os mistérios da Rosa Rubra por onde se espalha o Orvalho e da Áurea Cruz de onde vem a Luz do Mundo. Não é este Símbolo para ser encontrado sobre o peito de toda verdadeira Irmandade da Rosa+Cruz? Agarra-te rapidamente a esta Jóia e valorize-a como se fosse tua própria Vida, pois muitas e grandes são suas virtudes e sobre elas passo a discursar a ti. Sabe então, Ó meu Filho, que há muitas Cruzes e que o Simbolismo dessas varia de acordo com a Arte do Sábio, a qual dá a elas a devida Proporção; da mesma forma, podem ser achadas Rosas cujas Pétalas significam uma Ordem em cinco, vinte e dois e em quarenta e nove.

Essas, novamente, podem parecer unidas ou divididas, no todo ou em parte; ainda que cada Símbolo oculte seu aspecto Daquele Segredo mais perfeitamente, de acordo com o Entendimento do verdadeiro Buscador da L.V.X.

Poderá parecer que nesses últimos dias, a verdadeira Luz tenha ficado muito escurecida e obscurecida, de forma que, mesmo o mais ignorante dos impostores, tendo ouvido nosso Mote Omnia ab Uno, que significa como o Todo provém do Um, pensa que todas as Rosas e todas as Cruzes são semelhantes e de igual virtude; aí eles erram gravemente e esse erro torna-se aparente na estranha confusão que prevalece em nosso tempo, de modo que suas palavras tornaram-se uma Babel, ainda como se fosse de um tempo antigo, para grande dor da raça humana.

E ainda que nosso Pai, Christian Rosenkreutz, nossa Antiga Irmandade, seus herdeiros e sucessores, tenham feito muito para restaurar a Ordem do Universo e o Poder da Palavra, tal é a escuridão na qual os homens vivem e tal é a confusão que sobre nós está agora, que haverá um tempo em que os verdadeiros Irmãos deverão novamente estender a Luz da Cruz como se fosse uma centelha do verdadeiro Fogo que ainda arde intensamente dentro deles. A ti, Ó meu Filho, em quem arde esse Fogo, eu serei como um fole para soprar a Chama, transformando-a em uma grande labareda que deverá iluminar a Escuridão por onde tu andas; de forma que a partir de uma tênue luz de vela tu possas tornar-te uma lâmpada de Puro Óleo; que a tua lâmpada possa brilhar como uma Sempre-Ardente Estrela de Esperança para teus companheiros. Por esta razão, irei discursar a ti, não sobre a Cruz do Sofrimento a qual fostes atado e sobre a qual tu tomaste tua obrigação em favor do Universo – nessa Obrigação, todas as cláusulas continham uma inferência Secreta aos Santos Sephiroth, as Emanações do Um do Qual o Todo provém – mas sim daquele grande e completo Símbolo da Rosa e da Cruz, oculto dentro de teu peito, na parte de trás do qual está gravado Magister Iesus Christus – Deus est Homo – Benedictus Dominus Deus Noster qui dedit nobis Signum e teu Nome Místico como Fra. R.R. et A.C.

Mas é sobre a face da Cruz que eu vou discursar para ti, pois, usando-a sobre teu peito, tu irás te tornar como Sol que não vê Sua própria Face, ainda que dê a Luz de Seu semblante aos Justos e Injustos com igual Amor e Benção.

E o que é isto, então, que eu vejo por sobre o teu peito, Ó meu Filho? No Centro de Tudo há um Único Ponto de Luz cujo Brilho Estrelar cega esses olhos, pois isto é como Hadit, Teu Eu Secreto no Centro do teu Ser. Isto é Único, o Teu Segredo o qual tu compartilhas com o Um, não com o Muito. Este é Teu Verdadeiro Nome, a Palavra que Te trouxe ao Ser, cujo Eco tu és, e assim será até o Fim. Isto Eu sei, pois tal Palavra e tal Luz habitam em Mim, e Eu Nela. Também essa Palavra que está escrita na Branca Pedra Cúbica, mas para cada um ela é diferente e nenhum homem pode conhecê-la, exceto quem a possua.

Em volta e Iluminada por essa Luz Central está uma Rosa de Cinco Pétalas. Ela é a Estrela da Vontade Não Conquistada, a Vontade da Luz Única e a Palavra de teu Ser, como ela se Manifesta na Matéria. Ela é Sinal do Homem, o Microcosmos, que se espelha através dos seus Cinco Sentidos, a Grande Rosa da Criação. Esta Rosa vive de fato e os verdes espinhos, os quais se abriram para exibi-la, ainda estão brilhando com suas cores à medida que se estendem nas Quatro Direções, cada um harmonizando e trazendo para um ponto Dois dos Elementos dos quais tu fostes feito. Essa Rosa cintila sobre uma Cruz de Ouro, e ainda que crucificada ali, para ela a Glória e o Sofrimento são idênticos. Esta Cruz é de Seis Quadrados, um Cubo Aberto; esta é a mesma Pedra Branca onde o Verdadeiro Nome foi Oculto, ainda que aberto como uma Cruz de forma a ser conhecida como uma Pedra Viva, exibindo o Próprio Segredo da Vida. Com seus Braços ela exibe a L.V.X. que é a Luz da Cruz; seu sacrifício desvela a Rosa do Amor e esse supremo ato de revelação declara sua própria Liberdade. Assim, nós achamos Luz, Amor e Liberdade no próprio coração do homem, enquanto que escondidas por trás de tudo existem três palavras: Deus est Homo. Isso, Ó meu Filho, eu contemplo no Centro de tua Jóia, mesmo que tu sejas apenas uma pequena imagem oculta dentro do Coração de uma Rosa Maior, de onde ela cintila com um clarão de Rubro Ouro.

Tu te lembras, Ó meu Filho, quando tu estavas dentro da Sagrada Abóbada, a qual pode ser encontrada dentro da Montanha de A.'. - aquela Abóbada de Sete Lados da qual é vista a cor de uma das Grandes Inteligências Planetárias? Nunca te esqueças daquela LUZ, que é o Grande Mistério do Teto da Abóbada, mesmo que, Eras depois, a Escuridão do Chão possa ter apagado da tua memória o momento em que a Luz completou Seu Trabalho. Lembra-te como, tocando com a Baqueta a Rosa e a Cruz sobre o peito na forma do Pastos, tu estavas pronto a dizer: “Fora da escuridão deixe a luz nascer?” E como uma voz da figura imóvel respondeu: “Sepultado com essa LUZ em uma Morte mística, surgindo novamente em uma ressurreição mística Limpo e Purificado através dele, nosso MESTRE, Ó Irmão da Cruz e da Rosa! Como ele, Ó Adeptos de todas as eras, vós trabalhastes arduamente; como ele vós sofrestes Tribulação. Vós passastes pela Pobreza, Tortura e Morte. Tudo nada mais foi que purificação do Ouro”. No Alambique de Teu Coração Através do Atanor da Aflição Procurai Tu a verdadeira pedra dos Sábios. Ainda não achastes tal Pedra oculta no Coração da Rosa da Criação? Não és Tu esta Pedra? Nunca mais serás “calado”, pois a Rosa de Teu Ser desabrochou e Tua prisão foi trocada por uma Cruz. Mas, nesta transição, “Aquilo que está abaixo tornou-se semelhante ao que está acima” e o que está dentro é visto naquilo que está fora. Assim, há Beleza e Harmonia nesse Grau de Adeptado. Mas ainda que tu possas conhecer a Palavra desse Grau, bem como as Fórmulas derivadas, tu ainda tens que Sobre passar muitas dificuldades sempre que fores Mestre de Templo do Universo.

Em volta de ti eu vejo as Primeiras Três Pétalas da Rosa Maior, formando um Triângulo apontado para cima, sobre o qual estão as Sagradas Letras a, m (M) e c (Sh), cada uma brilhando sobre uma pétala de diferente Cor - Amarelo, Azul e Vermelho. Como já te foi ensinado antes, estas são as Três Letras Mães, das quais a Quarta, ou Terra, é a ad mixtura.

Tu deves dominar os elementos, Ó meu Filho! Esses devem ser encontrados na Cruz de teu próprio ser, e tu já aprendestes a “estabelecer-te firmemente no equilíbrio das forças, no centro da Cruz dos Elementos, essa Cruz de cujo centro o Mundo Criativo emana no começo da aurora Universo”. Tu também aprendeste a ser “Diligente e ativo como os Silfos, mas também a evitar a frivolidade e capricho; a ser energético e forte como as Salamandras, mas a evitar a irritabilidade e a ferocidade; a ser flexível e atento às imagens como as Ondinas, mas evitar a ociosidade e a inconstância; a ser laborioso e paciente como os Gnomos, mas a evitar a grosseria e a avareza”.

Tu não deves esquecer estas primeiras lições em tua busca por outras maiores.

Sete outras Pétalas envolvem estas Três, novamente cada uma brilha em sua verdadeira Cor formando o Arco-Íris da Promessa; mas da Promessa cumprida, desde que o Círculo esteja Completo. Por sobre cada Pétala aparece outra Letra Sagrada, as Letras dos Sete Planetas, estes grandes Regentes Elementares cuja Influência está sempre presente e que contam com o Auxílio e Cooperação das Grandes Inteligências Celestiais. Quem, através de teu próprio Sagrado Anjo Guardião, está sempre pronto e disposto a compartilhar de sua Sabedoria e Poder? Eis aí os regentes das Sephiroth abaixo de Chokmah e acima de Malkuth, de acordo com o Plano do Minutum Mundum que tu viste sobre o pequeno altar dentro da Abóbada da Iniciação. E mais uma vez, envolvendo estas Sete estão as doze Pétalas externas, gravadas com as Letras Simples dos Doze Signos do Zodíaco, a Esfera das Estrelas Fixas. Cada uma tem sua Cor apropriada e todas podem ser recompostas na Luz Branca do Centro. No exterior, essas Cores se misturam e formam o Cinza da Esfera de Chokmah, a qual é sempre o equilíbrio do Preto e do Branco; mas, Dentro, a Grande Estrela do Universo é focada sobre aquele Ponto Central que está em Todo Lugar, ainda que a circunferência da Rosa Infinita esteja em Lugar Algum. O Centro é o Kether de Todo o Esquema, pois Deus est Homo. Assim, Ó meu Filho, eu desenhei para ti a Grande Rosa de Vinte-e-Duas Pétalas, as Vinte-e-Duas Letras do Sagrado Alfabeto do qual todas as Palavras podem ser formadas, sagradas e profanas. Estas estão unidas de tal forma que os Sigilos dos Anjos podem ser daí desenhados, mas sobre isso eu não posso falar mais abertamente, pois é tua tarefa descobri-los e usá-los e a Influência da Rosa é aquele MEZLA, que é a Influência da Coroa e que descende como o Orvalho por sobre a Rosa, como se Unisse as Sephiroth da Árvore da Vida. Essa Árvore é formada como uma Ankh, que é apenas uma forma da Rosa e da Cruz, usada por nossa Irmandade do Antigo Egito como um Sinal do seu Caminho ou Ida; como tal ela é a Chave da ROTA, ou Tarô de Thoth. Quando, Ó meu Filho, por intermédio de tua Vontade Central, tu tiveres expandido tua Rosa de Cinco Pétalas de forma que ela compreenda essa Rosa Maior, onde as Pétalas são Vinte-e-Duas, tu poderás chegar a um entendimento mais avançado da Cruz que tem Quatro Braços, a soma da qual de Um a Quatro, sendo Dez, como são as Sagradas Sephiroth. A Grande Cruz, da qual a cruz de teu ser é um reflexo e uma contraparte exata, é também formada de Seis Quadrados, pois ela representa o Cubo Aberto. O Cubo é matéria, o Cubo Aberto exibe os vários Elementos com seu Centro Espiritual. Da mesma forma, seu IHVH aparece como Deus dos Elementos até que SHIN, o Espírito Santo, descendendo ao seu meio, abre-O como IHShVH, que é o Nome do Deus-Homem, o Redentor. Da mesma forma é o Homem, o Pentagrama dos Elementos Coroado com o Espírito, mostrado com a Vontade Não Conquistada em cada Braço da Cruz. Assim é ele o Mestre dos Quatro Mundos, através da cooperação com o Macrocósmico ou Divino Mundo, Simbolizado pelo Hexagrama, abaixo da Grande Rosa no Braço inferior da Cruz e que aparece envolvido pelo Sinal do Sol no meio. A extremidade de cada Braço da Cruz é Tripla e cada triplicidade é relacionada aos Três Princípios Alquímicos e suas combinações apropriadas. Assim, novamente, nós encontramos a sugestão de Doze Círculos, correspondendo ao Zodíaco ou Universo Estrela, enquanto que o Décimo Terceiro está oculto como um Ponto em seu meio, e dele é UNIDADE. Treze é Um mais Três, que é Quatro; Quatro é o Número da Manifestação na Matéria; na Matéria os Três Princípios (ou Gunas) são sempre operativos, isoladamente, como forças unidas em forma de Espírito.

Tu tens, Ó meu Filho, o conhecimento dos Rituais de Invocação e Banimento do Pentagrama, por onde tu podes controlar os Elementos e o Plano Astral; desta forma tu entendes como esses Pentagramas devem ser traçados com tua Baqueta e Vontade e como esta fórmula é simbolicamente mostrada no arranjo dos Símbolos dos Elementos que são mostrados em volta dos Pentagramas sobre os Braços da Poderosa Cruz. Tu sabes, também, como os Regentes Planetários, e mesmo como os Signos Zodiacais, devem ser Invocados ou Banidos por meio do Sagrado Hexagrama, o verdadeiro arranjo do qual também é mostrado neste Símbolo. Mas o que dizer das Folhas da Roseira Espinhosa que na Rosa Microcósmica eram uma e aqui são mostradas como Triplas em cada quadrante? E o que dizer das Letras e Símbolos que ali estão? Aqui, de fato, é dada a Fórmula por onde a L.V.X. pode ser traçada a partir da Cruz, e a Palavra-Chave encontrada e de onde a Palavra pode ser sutilmente extraída. Como poderias tu, sem esse conhecimento, dar os verdadeiros Sinais de teu Grau? Deixe-nos, portanto, analisar a Palavra-Chave como fez nossa Antiga Irmandade: Virgo, Ísis, Poderosa Mãe. Scorpion, Apophis, Destruidor. Sol, Osíris, Morto e Ressurrecto. Ísis, Apophis, Osíris. I.A.O. Faças agora os Sinais por onde a L.V.X., que é a Luz da Cruz, brilha, e tu terás o significado das Folhas da Rosa de tua Jóia Mística; folhas que estão Sempre Verdes como a própria Vida.

E agora, Ó meu Filho, ide e tomai parte da Eucaristia Mística, mesmo que tu tenhas sido ensinado por Aqueles que Sabem. Fortifica-te, pois tu tens ainda uma perigosa jornada a tua frente. Tu foste conduzido até a Luz; reflitas que ainda há outra Rosa e Cruz, a Rosa de Quarenta-e-Nove Pétalas – que é Sete vezes Sete – sobre a Cruz de Cinco Quadrados. Os Mistérios destes tu irás conhecer algum dia, mas não agora; pois estes partilham da natureza daquela Grande Escuridão de N.O.X., a Escuridão que é como a Luz que está Além da Visão; a Pura Escuridão do Entendimento, ou do Útero da Senhora Babalon, e da Cidade das Pirâmides que é a morada de NEMO. Que tua Mente possa estar aberta para o Altíssimo, Teu Coração um Centro de Luz, E teu Corpo o Templo da Rosa+Cruz. Vale Frater!

Monday, February 27, 2006

A Rosa-Cruz Original por Carlos Gilly

Quem se interessa pela história do século XVII se depara em todos os domínios com os rosa-cruzes. E, ao mesmo tempo, os problemas se apresentam, pois a história da Rosa-Cruz, tal como é relatada habitualmente, evoca mais perguntas do que responde. Quanto mais tomamos uma posição sem documentação suficiente, quanto mais reforçamos as velhas hipóteses com novas e aventureiras asserções a partir de pretensas descobertas, mais nos arriscamos a chegar a uma definição do rosacrucianismo do século XVII como um tecido sem originalidade, cheio de banalidades e palavras eruditas, da qual cada pesquisador pode servir-se de acordo com suas próprias crenças. O fato de podermos chegar a um resultado desses, como uma nova torre de Babel, já havia sido constatado por Johann Valentin Andreae, em sua obra Turris Babel Sive Judiciorum de Fraternitate Rosae Crucis Chaos.

Nem bem surgiu, em 1614, a Fama Fraternitatis des Löblichen Ordens des Rosenkretzes, na alle gelehrten und Haüpter Europae, o mercado livreiro europeu foi atolado de respostas, cartas abertas, epístolas, resenhas, testemunhos, “examinationes, elucidaria, defensione”, apologias, discursos, advertências, considerações, julgamentos, reflexões, justificativas, exposições, prognósticos, profecias, reflexos, instruções, admoestações, exames, respostas, “novidades incríveis”, etc. Mais de 200 títulos! Todos se posicionavam a favor ou contra a Fraternidade da Rosa-Cruz. Alguns autores revelavam seus nomes; outros, simplesmente suas iniciais. Outros se mantinham no anonimato ou adotavam os pseudônimos mais exóticos. Muitos tomaram uma posição definida e a defenderam com uma paixão tão intensa que não perdiam em nada para a paixão dos textos da Reforma. Enquanto isso, os espíritos mais esclarecidos da Europa tentaram obter explicações, pois, exatamente onde se tratava realmente da reforma anunciada, aconteceu uma transformação radical das normas religiosas, científicas e políticas. Um observador cético escrevia em 1616: “A transformação do mundo, à qual aspirais, dá muito ensejo à reflexão. Isso acarreta inúmeras conseqüências; e não somente os filósofos e os médicos, mas também os governantes e os teólogos deveriam discutir a respeito. Entretanto, eu garanto a simpatia das pessoas honestas”.

E isto ia longe. Mais precisamente, tão longe quanto deveria. Muitas dessas pessoas verdadeiramente piedosas que não se contentavam em repetir até cansar as profissões de fé cristãs ortodoxas, mas tentavam concretizar o cristianismo em seu comportamento cotidiano – ou colocavam a independência de espírito e a experiência vivida acima da autoridade reconhecida de Aristóteles ou de Galeno, todas essas pessoas reagiram com boa-vontade e, às vezes, até com entusiasmo à mensagem da Fraternidade.

Os primeiros a reagir negativamente foram os médicos e, logo na primeira fila, o super-conservador Andreas Libavius que, em sua ilusão, pensava que as artes e as ciências tinham atingido seu apogeu e, neste sentido, rejeitava qualquer tentativa de renovação e toda crença em qualquer tipo de progresso, classificando-os com a etiqueta de “paracelsismo” ou magia negra. Para tais teólogos ortodoxos, os rosa-cruzes não passavam de seguidores de Schwenckfeld, de Weigel, de entusiastas, batistas, jesuítas disfarçados, libertinos, ateus ou mesmo “vermes”, gente que queria reformar tudo ou, em outras palavras, deformar tudo! Para o jesuíta François Garasse, os rosa-cruzes formavam uma perigosa conjuração contra a religião e o Estado.

Um teólogo luterano falava de uma “nova fraternidade moura e árabe”, por trás da qual escondia-se de fato uma fraternidade calvinista que desejava acabar com a revolta e a discórdia no reinado católico romano e regiões vizinhas. Por meio de panfletos ilustrados e em diversas línguas, os jesuítas divulgavam, em Anvers, os cantos de um homem que se dizia cozinheiro da corte de Praga, que insultava os rosa-cruzes como cúmplices do rei Frederico V, do Palatinado, em 1620. No fim, os próprios calvinistas acreditaram neste conto de fadas, dizendo que os rosa-cruzes abriam caminho, ideologicamente, para a política de Frederico do Palatinado, lenda reforçada há trinta anos por Frances Yates, e que apaixona ainda hoje historiadores e autores de romances históricos.

É precisamente em Cassel, onde foram impressas as primeiras edições dos manifestos da Rosa-Cruz, com a concordância do landgrave Maurits, que, em 1619, sob as ordens deste mesmo landgrave, aconteceu o primeiro processo para o “rosacrucianismo”. O acusado, Felipe Homagius, enteado do editor, deveria responder às seguintes perguntas: era um adepto da Fraternidade? O que pensava a respeito dos rosa-cruzes? Qual tipo de relacionamento ele tinha com Frederico do Palatinado?

A questão que mais preocupava tanto partidários como adversários era naturalmente saber se a Fraternidade da Rosa-Cruz, tal como era descrita na Fama, existia realmente, ou se era uma mistificação bem ou mal intencionada, ou mais ou menos suspeita. O conde Augusto d’Anhalt já havia colocado esta questão dois anos antes do aparecimento público da Fama Fraternitatis. Em 1612, foi impressa, com despesas pagas pelo conde, a resposta de Adam Haslmayr aos rosa-cruzes: “Ainda não posso dizer muito sobre esta fraternidade que – mesmo que se trate apenas de palavras – parece possuir uma providência muito boa. Tive a oportunidade de ler tanto sua profissão de fé quanto sua apologia, e sobre elas este escrito faz referência”.

Mas como os irmãos da Rosa-Cruz guardassem silêncio obstinado depois do surgimento dos manifestos e não reagissem às inúmeras declarações, os partidários tentaram explicar este silentium post clamores (silêncio depois do barulho) e preencher as brechas. Michael Maïer expôs as leis da Fraternidade segundo suas próprias idéias, em seu Themis Aurea; Daniel Mögling, em Speculum Sophicum Rhodo-Stauroticum (1618) fez a descrição do “Colégio” e explicou os axiomas da Fraternidade. Heinrich Nollius fez imprimir, em 1623, o mais belo relato rosacruciano depois de As Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreuz: Parergi Philosophici Speculum. Isso lhe valeu imediatamente um processo de Inquisição. Adam Haslmayr, divulgador da Theophrastica Sancta, foi viver em Augsbourg depois de quatro anos e meio de trabalhos forçados, na seqüência de sua resposta aos rosa-cruzes, de 1612. Na época, ele escreveu vários tratados para defender os rosa-cruzes e explicar a mensagem deles. Finalmente, em 1629, Robert Fludd, com seu livro intitulado Summum Bonum, levou para o plano teórico mais elevado a questão da Rosa-Cruz, e em seguida desenvolveu uma nova filosofia paralela à magia, à cabala e à alquimia. Alguns tinham prazer em criar confusão, fazendo surgir continuamente panfletos com títulos em tom rosacruciano. Entre 1617 e 1620, Friedrich Grik publicou cerca de vinte desses panfletos, nos quais, sob o pseudônimo de Iranäus Agnostus, indignis notarius da Fraternidade, ele fazia o elogio dos rosa-cruzes, e, ao mesmo tempo, sob o pseudônimo de Menappius, dirigia contra eles ataques extremamente incisivos e apaixonados.

A confusão aumentou quando, de todos os lados, na Europa, apareceram homens que fingiam ser rosa-cruzes ou que até se atribuíam o título de “Rei dos rosa-cruzes”, como Felipe Ziegler. A confusão aumentou ainda mais quando os guardiões da ortodoxia religiosa oficial foram tomados por uma verdadeira “loucura teológica”. Eles sentiam-se ameaçados por todos aqueles em quem nascia, em toda parte, o desejo de uma devoção interior, de uma vida cristã e de um pensamento cristão, livres e concretos. Mas eles próprios eram a causa desse desejo! Para eles, todos os dissidentes deveriam ser colocados no mesmo saco, fossem partidários de Paracelso, de Schwenckfeld, de Weigel ou de Johannes Ardnt. Não foi por acaso que retomaram estes versos do teólogo, até bem circunspecto, Johann Gerhard:

Quem serve a Deus com fervor, e
Orienta, a partir dele, sua sabedoria e
Suas obras, logo se torna um herege,
Rosa-cruz ou discípulo de Weigel,
Como é o meu caso.


É claro que os contemporâneos quebraram a cabeça para saber quem eram os autores dos manifestos da rosa-cruz. Raros foram os que descobriram este segredo tão bem guardado. Mesmo os primeiros editores da Fama e da Confessio Fraternitatis aparentemente nunca souberam de onde vinham estes manifestos! Assim, por exemplo, parece que a Fama foi publicada sem a concordância de seus autores. A primeira cópia manuscrita que foi descoberta era o exemplar que Haslmayr recebeu no Tirol, no final de 1610, do qual desde janeiro de 1611 fez citações. Ele enviou uma cópia de presente de ano novo ao conde Augusto d’Anhalt, seu mecenas, e juntou a essa cópia uma nota sobre a sua origem. Antes da publicação da resposta de Haslmayr aos rosa-cruzes, Anhalt pensava em imprimir, ele mesmo, a Fama, em segredo. Entretanto, ele queria primeiro obter um exemplar da Confessio Fraternitatis e sabia precisamente onde encontrar: ao lado do doutor de Tübingen, Tobias Hess. “Porque”, dizia ele, “ele bem que deveria ter a Fama entre seus pertences!”. Porém, mais de dois anos se passaram antes que ele conseguisse uma primeira cópia manuscrita da Confessio em latim, com indicação das fontes.

Segundo o testemunho de Valentin Andreae em Tobias Hessi Immortalitas, a reputação de Tobias Hess caiu muito no espírito dos ortodoxos de Tübingen. Segundo ele, Hess teria sido um confrade cabeçudo, fantasioso, o rei dos utopistas, um homem que se ocupava com interpretações de sonhos e um profeta de baixo nível. Ele teria formado, com seus alunos e partidários, uma obscura assembléia, uma liga de fanáticos que tramavam conspirações secretas... Mas, quando Caspar Bucher lançou seu primeiro ataque contra os rosa-cruzes, publicando seu Antimenippus, não foi Tobias Hess, que já havia morrido neste meio tempo, que ele designava por alusões mal veladas com o autor principal desta questão, mas na verdade o aluno favorito de Hess, Andreae: “Ó ilustre rei Menippus, que de simples irmão da Ordem elevaste-te ao nível de monarca e tentas elevar-te agora ao de reformador do mundo inteiro!”. Bucher havia lido seu Antimenippus diante de toda a universidade e em seguida tinha mandado imprimi-lo diretamente por Cellius, em Tübingen. Mas, no texto original que ele havia prometido a Cellius desde o mês de março do mesmo ano, e sobre o qual Cellius, como homem de negócios bem informado, já havia feito publicidade em seu catálogo de primavera para a Feira Mundial do Livro de Frankfurt, nestes termos: “Informação sobre uma fantasmagoria grandiosa que diz respeito ao mundo inteiro, sobre a Fraternidade Rosacruciana, e sobre o grande fantasista Menippus. Editado por Cellius, em Tübingen”, Bucher mencionava que era Andreae o autor dos manifestos. Felizmente, esta menção não foi jamais adicionada, ou foi retirada logo antes da impressão. Todos em Tübingen sabiam quem era o autor de Antimenippus, pois o Conselho da Universidade havia, há muito tempo, debatido sobre a questão de saber se o livro não deveria ser queimado publicamente, como evocou Andreae trinta anos depois em sua tragédia que continua desconhecida até nossos dias: Theologia Lamentans.

Andreae chegou até a convencer o perigoso agitador Friedrich Grick das boas intenções que havia por detrás da redação dos manifestos. Sob o pseudônimo de Menappius, Grick havia definitivamente declarado guerra aos autores dos manifestos, em 21 de outubro de 1619, no final de um de seus panfletos. Ele lhes enviava um ultimatum: antes de cinco meses, deveriam denunciar-se voluntariamente como autores; caso contrário, ele publicaria suas verdadeiras identidades em seu próximo panfleto. Andreae deve ter levado esta ameaça a sério, pois ela deixava supor que Grick conhecia bem os rosa-cruzes. Andreae, de volta de sua viagem à Áustria, teria ido visitar seu perigoso adversário em Altorf ou Nuremberg e persuadiu-o de que os manifestos não passavam de um jogo bem intencionado e teria solicitado a Grick que guardasse a discrição necessária. É certo que Grick, a partir de 22 de novembro de 1619, logo apresentou sua posição. Em seu último panfleto, assinado Irenäus Agnostus, de junho de 1620, ele inseriu esta observação: “Conheço bem o autor da Fama e da Confessio; ele agiu somente por um curto lapso de tempo, como por brincadeira”. A partir deste momento, Grick fez o elogio de Andreae e fez citações dele, ao lado de Besold e Erasmo, em seu panfleto político contra a guerra.

Quando a questão dos rosa-cruzes tornou-se perigosa, logo após a violenta reação dos conformistas, e o barulho indigno dos panfletistas desonrou sua reputação, Andreae e seus melhores amigos prepararam uma estratégia para salvar, se possível, o plano original de sua reforma: primeiro, eles apagaram todos os vestígios que pudessem fazer desconfiar que eles eram os responsáveis pelos manifestos; segundo, eles fariam que os manifestos começassem a ser vistos como um conto de fadas, uma brincadeira, um jogo; terceiro, graças a um novo plano e tentativas de colaboração, baniriam do mundo os erros das religiões e das ciências. Em 1619, Wilhelm Schickart, com mais sucesso do que Andreae ou Besold, que se deixaram levar e emitiram vagas condenações contra os rosa-cruzes, falou precisamente sobre este projeto, em suas audaciosas opiniões, na universidade de Tübingen. Ele escreveu que não era preciso “jogar a criança fora com a água do banho”, ou, em outras palavras: rejeitar o que é bom sem discriminação; que a Fama parecia ser um resenha filosófica por detrás da qual se escondia uma inteligência invisível (pois ela corrigia os erros da filosofia comum e aspirava por uma reforma que, na realidade, muitos desejavam de todo o coração). “Assim ela não faz mais do que avançar com toda a segurança. Possa Deus oferecer-lhe felicidade e sucesso”.

Mas o sucesso ainda estava para acontecer! Como Andreae e seus amigos não sustentassem o mito criado por eles mesmos e se distanciassem cada vez mais dos aspectos milenaristas, herméticos, utópicos, paracelsianos, extremistas e místicos, eles se afastavam desses textos. A Rosa-Cruz original nem por isso passava a ser uma realidade menor, e tornou-se um componente inseparável da dissidência espiritual dos movimentos que se vangloriavam de fazer uma renovação da filosofia em toda a Europa. Pensemos em Schleswig-Holstein, que se dizia rosa-cruz, e na Societas regalis Jesu Christi, de Johann Permaier; nos movimentos teosóficos influenciados por Jacob Boehme; nos radicais anti-clericais, como Breckling; no pietismo; no milenarismo de Seidenbecher, Peterson ou Serarius; na comunidade jesuítica que Quirinus Kuhlmann quis fundar em Moscou (quase todos os médicos da corte do Czar, entre 1617 e 1683, simpatizavam com os rosa-cruzes); pensemos também nos eruditos libertinos da França e da Itália; na renovação da filosofia mística, alquímica e mosaica na Inglaterra, na Suécia e na Holanda; nas lutas em torno de John Webster na Inglaterra; em todas as sociedades que apareceram na Europa e, sobretudo, nos movimentos precursores da livre-maçonaria inglesa. Mesmo Comenius, que havia esboçado uma triste imagem dos rosa-cruzes em seu Labirinto do Mundo, perguntava-se em sua obra, a mais radical (Clamores Eliae), se seu próprio programa de reforma não era o mesmo que a “reforma geral” proposta pelos rosa-cruzes.

A pesquisa histórica sempre teve dificuldade em tratar do fenômeno “Rosa-Cruz”. Sobre este assunto, o século XVIII não foi o único culpado, quando escondeu os verdadeiros bastidores históricos dos manifestos, pois começaram a confundir a Rosa-Cruz com as lendas correntes sobre os templários, com os mistérios antigos e com a livre-maçonaria, cuja origem remonta possivelmente à Idade Média. Esta confusão começou com a publicação não-autorizada dos manifestos e aumentou à medida que a guerra continuava. Foi somente em 1648, quando a guerra já estava apaziguada, que Abraham de Franckenberg e o milenarista Seidenbecher chegaram a identificar Andreae como autor dos manifestos. Seidenbecher transmitiu a informação a Breckling, em Amsterdã, e este teve a confirmação anos mais tarde, por uma carta de Johann Ardnt. Mas, no início do século XVIII, quando Gottfried Arnoud chegou à mesma conclusão em sua História das Heresias e da Igreja, os historiadores luteranos Cyprianus, em Gotha, e Carolus e Fischlin, em Tübingen, protestaram violentamente contra o fato de um homem tão digno de elogios ser tão desacreditado assim. Do mesmo modo, Kazauer, um homem bem informado, escreve em 1715 na Disputatio Solemnis de Rosae-crucianis que era indigno para um teólogo honesto atribuir a paternidade dos manifestos a Andreae. Johann Georg Walch, um historiador das lutas religiosas, parece, neste sentido, “suficientemente honesto”. Ele propôs Joaquim Junger como autor, e não falou de Andreae. Quando Herder e Nicolai publicaram a passagem da autobiografia de Andreae onde este reconhece ser o autor de As Núpcias Alquímicas, cresce a idéia de lhe atribuir a redação total ou parcial da Fama e da Confessio. Von Murr, Bulhe, Burk e o primeiro biógrafo de Andreae, Wilhelm Hossbach, aderiram a esta opinião, assim como, na geração seguinte, Gurauer, o biógrafo de Jungius. Somente Johann Friedrich von Meyer fez objeções. Ele pensava que, no máximo, Andreae poderia ter traduzido os manifestos. A partir deste momento, o debate direcionou-se para a questão de saber se Andreae teria tido intenções sérias ou brincalhonas, até o dia em que, logo antes de 1900, Ferdinand Katsch (para não fazer Andreae mentir) e Jan Kvacala (pela mesma razão, apesar de ser um historiador mais sério) novamente colocaram em dúvida o fato de Andreae ser o autor dos manifestos. Nesse momento, eles estavam sós. Tanto Begemann, Pust e Wulf, bem como Will Erich Peuckert, o maior especialista em textos rosa-cruzes e literatura teosófica, consideravam Andreae como o personagem central do caso. Em 1926, o germanista Richard Kienast excluía Andreae por razões lingüísticas. Quando Kienast fez o primeiro esforço para ler as obras de Christoph Besold, mentor e amigo de Andreae, estes maravilhosos textos herméticos e milenaristas fizeram-lhe concluir imediatamente que Besold deveria ser o autor da Confessio Fraternitatis. A tese de Kienast foi retomada por Adolf Santing em sua bela edição dos manifestos dos Rosa-Cruzes. Alguns dicionários de literatura alemã também o adotaram. Tanto Peuckert como Hans Schick (os únicos que haviam escrito uma história bem documentada dos rosa-cruzes até então) consideravam Andreae como o autor dos manifestos.

O francês Paul Arnold foi o primeiro a considerar os três manifestos como a obra comum do círculo de amigos de Andreae. O americano Montgomery e a inglesa Yates interpretaram o caso de maneira diferente. Segundo Montgomery, Andreae era um luterano perfeitamente ortodoxo e Besold já havia se convertido ao catolicismo. Nenhum dos dois, portanto, poderia ter contribuído para o nascimento da Rosa-Cruz. Além disso, Andreae teria escrito As Núpcias Alquímicas a fim de cristianizar o movimento dos rosa-cruzes, que, segundo ele, era apenas um movimento “pagão” do século precedente. Em revanche, Yates, que considerava o rosacrucianismo unicamente em relação à pessoa e à política de Frederico do Palatinado e sua corte inglesa em Heidelberg, não se deu ao trabalho de nomear Besold ou Tobias Hess. Ambos fizeram com que a Fama e a Confessio caíssem no anonimato. Depois, eles esperavam encontrar o autor no Palatinado, mas foi em vão. Então, propuseram de novo Joaquim Jungius, porque um funcionário do palácio, banido em Heidelberg, o teria revelado ao filósofo Leibnitz.

Enquanto as teses de Montgomery e principalmente de Yates conseguiam um sucesso inesperado nos países de língua germânica, Richard van Dülmen, Martin Brecht e Roland Edighoffer reconstituíam os fatos graças a uma pesquisa histórica aprofundada, que aconteceu a partir de 1977. O mais importante, sem dúvida, foi que Brecht e Edighoffer estudaram, ao mesmo tempo e independentemente um do outro, os textos básicos da Confessio no Theca Gladii Spiritus (1616). Andreae já havia publicado estes textos como sendo de Hess, mas citou-os em sua autobiografia como “sua obra pessoal”.


CONCLUSÃO

Assim Andreae se fez conhecer implicitamente como o autor tão procurado. Hoje é evidente que Tobias Hess, defensor do milenarismo e partidário de Paracelso, que Andreae honrou e defendeu após sua morte, como pai, irmão, mestre, amigo e companheiro, foi o mestre e iniciador do grupo de onde saíram os manifestos da Rosa-Cruz. Que estes tenham sido redigidos exclusivamente por Andreae (como eu mesmo creio, realmente) ou em colaboração com outros membros do grupo, isto é de importância secundária. Nossa tarefa mais importante, agora, é reunir todos os escritos dos rosa-cruzes do século XVII, manuscritos ou impressos, textos dispersos de muito difícil acesso; de fazer bibliografias a respeito deles, de estudá-los e compreendê-los em seu contexto histórico e ideológico. Somente então será possível escrever uma história completa do fenômeno rosacruciano e determinar cientificamente sua influência sobre a vida cultural e religiosa da Europa.


(Carlos Gilly – bibliotecário da Bibliotheca Philosophica Hermetica, revista Pentagrama, ano 17, nº. 2.)

A influência das idéias rosa-cruzes sobre o desenvolvimento da Europa – Entrevista com o Dr. Carlos Gilly


Professor Gilly, baseando-se nos fatos que o senhor coletou, o senhor poderia demonstrar que a riqueza das idéias rosa-cruzes teve uma influência positiva sobre o desenvolvimento da Europa?

Resposta: O primeiro manifesto rosa-cruz surgiu na Alemanha, em 1614. Seu título era: Fama Fraternitatis. Sob o título, podia-se ler: “Reforma geral e universal do mundo inteiro”. Nenhum outro texto reformador, no decorrer dos quatro últimos séculos teve uma ressonância tão grande entre seus contemporâneos como a Fama Fraternitatis da Venerável Ordem dos Rosa-Cruzes, dirigida a todos os sábios e soberanos da Europa. Quase oito anos depois, cerca de trezentos escritos foram impressos, combatendo ou aceitando o fenômeno “Rosa-Cruz” da parte de círculos muito diferentes entre si. Teólogos de todo tipo de obediência religiosa, médicos da velha escola de Galeno e da nova escola de Paracelso, os discípulos mais conservadores de Aristóteles e dos adeptos da filosofia hermética, alquimistas, astrólogos, juristas, escritores políticos e literários, todos tomaram da palavra apaixonadamente para atacar ou defender a invisível Fraternidade e suas idéias de regeneração de todos os valores e de todos os princípios da religião, da sociedade e da ciência. E isto não somente na Alemanha, mas também na Inglaterra, na Holanda, na França, na Itália, na Boêmia e na Suécia. Logo toda a Europa se encontrou envolvida no debate sobre os rosa-cruzes. Em seu primeiro manifesto, o que se considerava como ideológico tornou-se evidente para a cultura européia: a tolerância em matéria de religião, por exemplo, a fé no progresso, o fato de compreender que a experiência tem mais valor que a autoridade e a especulação, a busca de um equilíbrio entre o pensamento e a ação em todos os aspectos da vida.


Graças à nova cátedra de Ciência Hermética de Amsterdã, o senhor espera que apareçam outros pontos de vista na ciência e em outros setores, no que diz respeito ao pensamento rosa-cruz?

Resposta: A cátedra de Filosofia Hermética da Universidade de Amsterdã corresponde à realização final de um desejo muito antigo. Ninguém menos do que Marcílio Ficino ocupou a primeira cátedra de hermetismo na Europa. A irradiação desta cátedra foi tão extraordinária que Theodor Zwingler, de Basiléia, um dos maiores eruditos do século XVI escreveu: “Percebe-se o quanto nossa ‘Republica Literaria’ deve à Academia platônica de Florença e a seu criador, Cosme de Médicis, pelo fato de que em nosso tempo, quando a mais grosseira barbárie penetrou e manchou toda a ciência, o latim e o grego estão revivendo, e que a Academia de Florença é a primeira a instaurar o estudo de uma filosofia mais pura, trazida das fontes platônicas e herméticas. Graças aos membros desta academia, podemos agora praticar a filosofia com liberdade e elegância”. Nas universidades do século XVI e XVII, onde a doutrina de Aristóteles ainda dominava, esta influência foi pouco sentida. Por isso, as ciências herméticas foram constrangidas a levar uma existência obscura, à parte. O fato de terem criado uma nova cátedra de Hermetismo exatamente em Amsterdã não surpreende quem conhece bem a história desta cidade. No século XVII não havia universidade em Amsterdã, mas havia um editor muito “engajado” que editou não somente o Corpus Hermeticum na tradução de A. W. Beyerland, mas também as obras de Jacob Boehme, Comenius, Breckling e outros teósofos, místicos, milenaristas e outros sábios em ciências herméticas e buscadores de Deus. E no que diz respeito aos rosa-cruzes, foi em 1615 que a Fama Fraternitatis foi impressa em Amsterdã. De toda a Europa, os partidários da Rosa-Cruz vinham até Amsterdã. Portanto, não é surpresa para ninguém que as quatro grandes coleções existentes de textos rosa-cruzes (em Gotta, Hall Breslau e Wolfenbuttel) venham de Amsterdã.

Em minha opinião, é principalmente na cabeça daqueles que não enxergam o lugar verdadeiro dos antigos hermetistas e “filósofos da natureza” – os pesquisadores científicos da época, com seu entusiasmo e dedicação – que existe um conflito entre as ciências herméticas e as demais ciências. Mas um conflito como este jamais existiu para aqueles que conhecem os ensaios matemáticos e físicos do autor da Fama Fraternitatis ou as atividades alquímicas de Newton.


Este aspecto aparecerá claramente na bibliografia que a Bibliotheca Philosophica Hermetica está para publicar?

Resposta: A bibliografia sobre os rosacruzes, de 1604-1800, contém aproximadamente 1500 edições, manuscritos e documentos de arquivos classificados por ordem cronológica e acompanhados de comentários. O critério reservado a um texto como este é a menção expressa da palavra “Rosa-cruz” pelos partidários ou adversários. Todos os textos são apreciados da mesma maneira, tanto os que tratam de teologia, como os que tratam de medicina, alquimia, astrologia, política ou de outra coisa qualquer.

Esta enorme coleção de textos vai-nos mostrar também, assim esperamos, como é complexa a história da ciência; como as opiniões sobre o progresso das ciências estão sempre se modificando, e como o papel de partidário ou adversário pode ser desempenhado pela mesma pessoa, alternadamente. Graças à intervenção dos rosa-cruzes e das correntes que deles provieram, nós adquirimos uma compreensão muito profunda sobre a vida cultural e religiosa de um período bastante agitado da Europa.


Quais são os movimentos rosa-cruzes de hoje que, segundo o senhor, estão mais de acordo com as fontes e com a mensagem dos manifestos? Até que ponto eles seguem a tradição, adaptada à nossa época?

Resposta: Como toda corrente histórica, a Rosa-Cruz também sofreu algumas transformações. Os autores dos manifestos e seus amigos também foram, naturalmente, filhos de seu tempo. Seus críticos se voltavam para a dogmática que estava em vigor nas doutrinas religiosas e teorias científicas que não eram baseadas em experiências espirituais pessoais ou sobre investigações científicas. A Fama Fraternitatis evocava essencialmente a necessidade do equilíbrio entre fé e vida, conhecimento e experiência, teoria e prática. É por isso que o autor se inspira na filosofia hermética, na mística da Idade Média, na alquimia e até mesmo na magia que ressalta a interação direta entre o homem como microcosmo e o macrocosmo. Os irmãos da Cruz Áurea, que se reagruparam na Itália por volta de 1675 (os “Áureos e Rosa-Cruzes” como se auto-denominaram depois de 1710, na Alemanha) encarregaram-se da mensagem, mas esqueceram-se dos manifestos originais. Quando eles editaram a Fama Fraternitatis em sua revista de 1783, este texto tinha se tornado tão desconhecido que inúmeros associados acreditaram que se tratasse da criação de uma nova sociedade secreta e se inscreveram como sócios. Mas, felizmente, havia também adeptos e simpatizantes da Rosa-Cruz que ainda conheciam as origens da Ordem. Um deles foi o compilador e editor de “Os Símbolos Secretos dos Rosa-Cruzes”. Eles não estavam inteiramente satisfeitos com os textos da Cruz Áurea e traduziram em sua língua não somente a Fama Fraternitatis, mas também textos de Paracelso, de Arndt, de Weigel e de Jacob Boehme. Nesta situação, surgiu uma transformação quando os manifestos originais foram editados em inglês pela “Societas Rosacruciana”, em 1887. Seguiu-se uma série ininterrupta de edições em todas as línguas possíveis. Desde 1900, foram impressas 50 edições da Fama Fraternitatis e da Confessio Fraternitatis e cerca de uma vintena das Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreuz.

Quanto à questão de saber qual organização atual que leva o nome “Rosa-Cruz” seria a mais próxima da fonte, eu prefiro não me pronunciar. Como historiador, minha tarefa é somente encontrar as fontes, ordená-las historicamente e despojá-las da pátina ocultista e não histórica com que o mito rosa-cruz foi revestido, principalmente nos séculos XVII e XVIII. Deste ponto de vista, as organizações que seguiram através dos tempos os ideais de Tobias Hess, de J. V. Andreae, de J. Arndt, de Jacob Boehme e de seus amigos são as mais próximas do rosacrucianismo clássico.


Para os autores dos manifestos tratava-se apenas de uma reforma, ou também de uma transformação do homem em si?

Resposta: Para os autores – ou seja, Andreae, Tobias Hess e seus amigos do círculo de Tübingen – tratava-se das duas coisas. A “Reforma” do mundo exterior à qual eles aspiravam somente seria possível se o homem se transformasse interiormente. Andreae esboça magnificamente esta transformação interior nas Núpcias Alquímicas de C.R.C. antes mesmo de escrever a Fama e a Confessio Fraternitatis. Esta “Reforma geral do mundo” não era, entretanto, de ordem política, como sugeriram, aos brados, algumas publicações subversivas durante a Guerra dos Trinta Anos. Tratava-se, na verdade, de uma “reforma” do espírito, que Tobias Hess já havia declarado em 1605 em uma carta dirigida ao duque de Wurtemberg.


Como os manifestos puderam ser editados sem que os autores o quisessem ou soubessem?

Resposta: Parece que, para começar, Tobias Hess e seus amigos quiseram enviar aos sábios da Europa a Fama Fraternitatis traduzida em cinco línguas, com a Confessio em latim. Mas, antes mesmo de começar as traduções, antes do momento julgado favorável para sua publicação, eles tiveram de perceber que já circulavam inúmeras cópias, recopiadas precisamente por um dos que a Fama qualifica de pseudo-alquimista. Portanto, o elemento surpresa sobre o qual contavam os autores dos manifestos desapareceu com a resposta impressa de Adam Halsmayr, em 1612. Foi necessário, então, levar em consideração uma edição ilegal da Fama. Em março de 1614, ela surgiu também em Kassel.

Por que Tobias Hess e seus amigos não impediram este processo previsível editando os manifestos na hora certa? Isto continua sem resposta, pois ainda faltam fontes de informação. Entretanto, ficou estabelecido que quem deu a ordem para lançar a primeira edição da Fama e da Confessio, o landgrave Wilhem de Hesse e o impressor da corte, Wilhem Wessel, não tinham a menor idéia da origem dos manifestos.


Quais são os indícios que lhe permitem dizer que deve ter havido outros manuscritos antes da impressão do primeiro livro? Como o senhor descobriu que eles existiam e onde o senhor os encontrou?

Resposta: Os quatro manuscritos da Fama que foram encontrados não eram realmente desconhecidos no momento em que iniciei minhas pesquisas. Um se encontrava desde 1903 no catálogo dos manuscritos da biblioteca do duque Augusto, em Wolfenbutel; outros dois eram mencionados no catálogo de 1962 da Welcome Library de Londres. Mas, tal como fora o caso com inúmeros textos de Adam Halsmayr, nenhum pesquisador havia se dado ao trabalho de pesquisar esses manuscritos. O manuscrito de Salzburgo, que fazia parte dos bens de Christoph Besold, um amigo de Andreae, já havia sido examinado em 1929, em Breslau, por Will Erick Peuckert, o grande historiador dos rosa-cruzes. Na ocasião, ele o considerou “sem valor”. Trata-se aqui do único manuscrito da Fama em que aparecem todas as passagens suprimidas em outros manuscritos e sobretudo nas edições impressas.


Andreae ou algum de seus amigos haviam indicado, alguma vez, que estes manuscritos existiam?

Resposta: Andreae e seus amigos acabavam de saber que devia haver cópias ilegais da Fama em 1612, quando surgiu a “Resposta à Fraternidade dos teósofos da Rosa-Cruz” de Adam Halsmayr e, mais tarde, desde o final de junho do mesmo ano, quando o príncipe Augusto de Angalt, precisamente junto com Tobias Hess, procurou se informar a respeito do assunto da Confessio Fraternitatis. Certamente Andreae tinha ouvido falar, por Benedictus Figulus, sobre as transcrições que circulavam em Kassel, Marburg e Estrasburgo. É somente assim que se pode explicar porque Andreae se irritou tanto sobre o “globe-trotter Figulus”, mesmo trinta anos mais tarde, em sua biografia! Se entretanto tudo tivesse se passado como Andreae queria, é bem provável que os manifestos jamais tivessem sido editados. Devemos agradecer a Adam Halsmayr e a Benedictus Figulus por fazerem um uso amplo de suas cópias imperfeitas.


Por que é importante que o texto original da Fama seja editado? Já existe uma versão impressa de J. V. Andreae?

Resposta: Dos quatro documentos impressos, não há um sequer que não apresente alguma omissão. Umas oito páginas estão faltando, infelizmente. Em todos os manuscritos faltam as mesmas páginas que faltam na primeira edição de Kassel. Sem variante na língua, eles remetem a uma única cópia que, certamente, foi feita às pressas e estava prematuramente em circulação fora do círculo de Tübingen. Com a recente edição da Fama Fraternitatis, de Pleu van der Kooij, agora já temos um texto que é completo e de onde desapareceram as inúmeras variações e erros de leitura. Este texto é autêntico, pelo menos enquanto não for encontrado nenhum outro manuscrito do círculo de Tübingen. Faltam somente as oito páginas. Mas o que foi descoberto pela Bibliotheca Philosophica Hermetica no setor de pesquisa sobre a Rosa-Cruz dá esperança para novas pesquisas.


Como o senhor explica o enorme interesse que os manifestos provocam desde 1900?

Resposta: O século XVIII, o “século das luzes”, oferece inúmeros aspectos, entre os quais um aspecto rosa-cruz. Os princípios das “luzes” tiveram origem, sem dúvida, em Andreae, Arndt, Comenius, Breckling e Gottfried Arnold. Não nos referimos tanto ao livro conhecido de Frances Yates [“O Iluminismo Rosa-Cruz”]. O século XIX, apesar de inventivo, permaneceu estreito no plano filosófico. A ciência estava voltada exclusivamente para a técnica; e as religiões mostravam-se racionais. A religião parecia envelhecida. É por esta razão, sem dúvida, que inúmeros pesquisadores voltaram-se para o pensamento oriental, enquanto outros “redescobriram” e perpetuaram, na verdade pela mesma razão, a longa tradição do hermetismo europeu. Nesta tradição, a Rosa-Cruz desempenhou um papel extraordinário. De fato, nos manifestos, todos os aspectos que no decorrer dos séculos foram taxados de heréticos e combatidos como tais (aspectos herméticos, gnósticos, místicos ou alquímicos) se reuniram.


De onde provém seu interesse pela Rosa-Cruz? O senhor tornou-se o maior especialista da história Rosa-Cruz (pois todos conhecem este traço do fundador da Bibliotheca Philosophica Hermetica). O que levou o senhor a empreender esta imensa pesquisa?

Resposta: Sou espanhol e há muito tempo fui morar na Suíça. Na Basiléia estudei a história dos dissidentes religiosos da Espanha do século XVI que moravam no exterior. Em seguida, estudei os livros de autores espanhóis publicados fora da Península Ibérica. Percebendo que os dissidentes espanhóis mais importantes, depois de sua separação da igreja romana, entraram muito rapidamente em conflito com as igrejas reformadas e foram tratados como heréticos, comecei a me interessar por todos os outros “heréticos” do período da Reforma. E principalmente Paracelso, cujas obras foram impressas por este editor que tinha editado não somente os livros de alquimia da Espanha, mas também uma grande quantidade de livros de Sebastian Castellio, o grande defensor da tolerância religiosa. Foi assim que encontrei as obras de Theodor Zwingler e Johannes Arndt, que faziam a ligação entre Castellio e Paracelso, e que também influenciaram J. V. Andreae – e, portanto, os rosa-cruzes. No círculo de amigos de Andreae, encontrei também o prolongamento das idéias que me interessavam e sobre as quais pouco ainda se havia escrito. Foi assim que foi-se abrindo o caminho para o estudo da Rosa-Cruz.

A ocasião direta foi, entretanto, a tarefa de recensear a edição italiana de “O Iluminismo Rosa-Cruz”, este belo livro de Frances Yates, sugestivo mas discutível sob o ponto de vista histórico. Deste recenseamento nada surgiu, pois ele foi-se tornando tão volumoso que, no final, poderia ter surgido uma nova história dos rosa-cruzes. Compreendi que um projeto como este somente poderia ser concretizado através de uma pesquisa aprofundada em inúmeros arquivos e bibliotecas. Provisoriamente, eu me contentei em dar uma conferência na Associação Histórica da Basiléia, sob o título “Os rosa-cruzes, fracasso de uma reforma no século XVII”. Foi assim que entrei em contato pela primeira vez com Joost Ritman. Ele pediu que eu me tornasse bibliotecário da Bibliotheca Philosophica Hermetica. O resto, todos conhecem. Depois de ter trabalhado sem parar nesta biblioteca, nesta coleção única de edições e manuscritos dos rosa-cruzes do século XVII, coloquei em microfilmes, em mais de 120 bibliotecas, cerca de 1800 obras e documentos relacionados com os rosa-cruzes dos séculos XVII e XVIII. Este material está descrito e comentado na bibliografia sobre a qual já falei. Ela logo será apresentada, primeiro sob a forma de livro, depois com documentos, na Internet. Nesta bibliografia está expressa, em toda a sua amplitude, a história dos rosa-cruzes e dos movimentos que suscitaram suas idéias. Como já disse, ela nos oferece uma imagem muito detalhada da vida cultural e religiosa de um período conturbado da história européia. A aspiração à perfeição e à harmonia entre o homem, o cosmos e a natureza – assunto que é tratado expressamente nos manifestos rosa-cruzes – mostra-se tão atual que pode inspirar, hoje, os pensamentos de muitos homens.


(revista Pentagrama, ano 21, nº. 2.)

Sunday, February 26, 2006

Jean-Baptiste Willermoz

Jean-Baptiste Willermoz, nació en Lyon, Francia, el 10 de julio de 1730.

Fue un iniciado de alta envergadura, principalmente identificado con la Francmasonería. Tanto es así, que resulta innegable que ha sido una de las personalidades más eminentes y considerables en la historia de la Masonería. Pero su acción también alcanza en gran medida a la historia y formación de la actual Orden y movimiento Martinista.

Proveniente de una antigua familia burguesa de Saint-Claude, cerca de París (cuyo patronímico se ortografiaba Vuillermoz), y que, según documentos aportados por la propia familia, eran de origen español, su padre se instaló en Lyon como comerciante mercero. Jean-Baptiste, el mayor entre doce hermanos de ambos sexos, fue muy pronto proyectado a la vida activa. A la edad de catorce años, entraba como aprendiz al servicio de un comerciante de sederías, y a los veinticuatro años montaba su propia empresa de manufactura. Desempeñándose en este rubro para ganarse la vida.

Pero, lo que nos interesa es su vida iniciática, la cual esbozamos muy someramente en las siguientes líneas. Si bien es cierto dedicó su vida principalmente a desarrollar sistemas masónicos, también desarrolla una importante relación con los comienzos del Martinismo, por esa razón lo consideramos.

La Orden conocida como Los Caballeros Bienhechores de la Ciudad Santa, es en donde él principalmente se desarrolló iniciáticamente. Una Orden de clara ascendencia masónica a la cual el mismo dictó las reglas por las cuales actuaba. Pero su vida iniciática comenzó muy temprano a la edad de veinte años, cuando se inició en una Logia desconocida, y al cabo de dos años ya era elegido Venerable Maestro. Posteriormente contribuyó a formar la Logia de los Maestros Regulares de Lyon, reconocida luego por la Gran Logia de Francia. Demostró al interior del trabajo iniciático en Logia su predilección por los Ritos Masónicos de la Estricta Observancia.

Su camino iniciático se ve conectado con la futura Orden Martinista, cuando en 1767, es llamado y admitido a formar parte de la Orden de los Caballeros Masones Elegidos Cohens del Universo, por el mismo fundador de esta adelantada escuela, Martines de Pasqualli. Aquí Willermoz dice haber encontrado la verdadera Masonería, y permanecerá fiel a su maestro Martines, a su doctrina y su Orden.

Es aquí donde establece contacto con Louis-Claude de Saint-Martin, quien oficializaba como secretario personal de Martines de Pasqualli. Es particularmente interesante la correspondencia establecida entre Saint-Martin y Willermoz en orden a la práctica de los rituales Cohens.

Si bien es cierto Willermoz estuvo abocado a una empresa de reforma de la Masonería, tratando de encontrar o desenterrar lo verdaderamente esencial y espiritual en ella, nunca dejó de practicar el sistema de la Orden de los Elegidos Cohens, y dada la reverencia que sentía por su maestro Martines de Pasqualli, no modificó nada de este.

Con respecto a la reforma masónica, Willermoz establece el sistema llamado Regimen Escocés Rectificado, el cual es un intento de volver a la Masonería primitiva, verdadera y espiritual, teniendo una Orden Interna de tipo caballeresca, la ya mencionada Orden de los Caballeros Bienhechores de la Ciudad Santa.

No es nuestra intención describir el detalle de estos sistemas masónicos, que por lo demás siguen funcionando hoy en día. Sin embargo, es interesante destacar que Saint-Martin habría participado en lecciones y preparación de instrucción al comienzo de este sistema, a petición de su condiscípulo Willermoz.

En su sistema de masonería rectificada, Willermoz mantuvo los principios aprendidos de su maestro Martines referente a la reintegración del ser humano, similar a como lo hizo Saint-Martin en sus enseñanzas, a los que unió luces de origen jesuita, ya que toda su vida también estuvo estrechamente ligado a la gnosis cristiana católica.

Willermoz asume que la enseñanza aprendida por Martines de Pasqualli es de un orden tan elevado como antiguo, que se pierde en los confines del tiempo. Lo interesante es que esta doctrina en Saint-Martin y en Willermoz toma dos caminos hermanos, pero distintos: en el primero surge lo que luego será llamado Martinismo y en el segundo la vía de la verdadera Masonería espiritual reconquistada.


Preparado por Prometeo, S:::I:::I:::

Simbología de la espada

Todos los Martinistas sabemos que en cada símbolo de nuestro templo se encuentra velada una verdad trascendente. En una permanente lectura del libro del hombre y del libro de la naturaleza avanzamos con algunos mojones que nos indican la rectitud de nuestro andar y el valor del esfuerzo. Nuestros símbolos nos ayudan a develar nuestra realidad interior al vivenciarlos y darles la correcta dimensión.

Vamos a desarrollar una somera visión de uno de ellos: la espada.

Asimilada durante siglos a la idea de arma y elemento de conquista, su concepto y utilización ha sido consagrado en el ámbito iniciático por los pensamientos y la conducta de dedicados estudiantes de los misterios a valores diferentes. A lo sumo es lo que detiene por la fuerza de su ideal a nuestros errores y nos conquista para la luz...

No es solo el saber, es el comprender y utilizar lo que nos da el completo conocimiento de cualquier símbolo...

La espada que reposa sobre la mesa del maestro tiene un simbolismo definido, es el símbolo primario de la fuerza que defiende a nuestros hermanos y hermanas en la invisible presencia de la egregor contra todo ataque externo y nos da los parámetros para el orden interno de la Heptada.

En este punto debemos ahondar el porque la espada tiene ese carácter defensivo y ordenador. Dentro de nuestra tradición occidental es marco de referencia del ideal caballeresco. Es el poder que puede destruir el mal y preservar la justicia. Es las fuerzas de la luz y el orden enfrentadas a la de la oscuridad y el caos.

Es por ello que se convierte en un Axis Mundi en relación a determinados principios; en ella se encuentran representados: el honor, el valor, el poder, la verdad, la rectitud, el equilibrio.

Dentro de su construcción el plano espiritual representado por la hoja toma contacto con el plano material representado por la empuñadura para plasmar en los mundos material y espiritual la voluntad de quien tiene el conocimiento y el poder para empuñarla.

Por ello que a los caballeros les era dado el espaldarazo al ser consagrados (por otro caballero) como tales.

Al encontrarse asociada desde tiempos inmemoriales a la luz y al fuego, su empleo constituye una purificación, tal como se encuentra expresado en la alquimia donde representa el fuego purificador.

Dentro de los relatos de caballería representa la fuerza espiritual del caballero, y a este respecto podemos decir que es reflejo de la autoridad al encarnar quien la empuña los ideales citados anteriormente.

Los materiales en los cuales está construida tienen particulares simbologías que no desarrollaré en este estudio. Recordemos que es uno de los elementos utilizados dentro de lo que se llamó en siglos pasados la magia práctica. Como ejemplo podemos citar que el hierro para los romanos simbolizaba al Dios Marte y tenía la capacidad de ahuyentar a los espíritus malignos.

Pero hay algo a lo que sí debemos referirnos y es al temple, para que una espada tenga utilidad debe estar templada, al igual que un iniciado... Templar significa tomar conciencia de su propia esencia y sutilizar los cuerpos transformándolos en instrumentos apropiados para tal esencia. Cuando un individuo templa es cuando alcanza una realización interior de continuo equilibrio con las leyes del UNO; sin necesidad de mediar su mente su accionar es el correcto, cumple como lo expresa uno de nuestros discursos el óctuplo sendero.

Otro simbolismo es su referencia al Verbo, dentro del cristianismo representa al espíritu y la palabra de Dios, obrando en ella un ser con voluntad propia. De allí la medieval costumbre de darle nombre a las espadas. Cito como ejemplo una de las más famosas: Excalibur, su mas antiguo nombre es Caliburn que significa la que hace una marca a fuego en la materia, dejo a vosotros sacar las conclusiones entre su simbología de palabra divina y lo antes citado sobre la realización en los planos espiritual y material y su referencia a quien puede empuñarla.

La espada occidental es recta y tiene referencia a la tradición solar y un simbolismo que cae dentro de lo fálico en atribución a su energía regeneradora que destruye la injusticia y la ignorancia generando paz y justicia, el poder de la luz envainada en la oscuridad de las posibilidades del no-ser y que al ser empuñada en un relámpago denota realización, actividad, acción... creación.

Un capítulo aparte merecería la realización interior y exterior del héroe que tiene las facultades del uso de la espada. Entre la mitología y la realidad multitudes de iniciados empuñaron la espada para defender milenarios ideales. En la antigua tradición celta encontramos la invencible espada del dios LUG, divinidad de la luz.

Arturo, Sigfrido, arquetipos que tuvieron la capacidad de liberar o recomponer sus espadas. Aquel que la puede sacar (empuñar) de su prisión ó recomponer si se encuentra rota recompone el desorden y es capaz de restaurar el orden ideal.

Es aquel que utilizando su voluntad, iluminado por la luz del ideal, decide restaurar para sí y para otros la armonía perfecta, la armonía cósmica. Quien ha demostrado ser merecedor de tal don.

Asimismo dentro de nuestros rituales se nos señala que nuestra espada ritualística representa la dualidad, lo positivo y lo negativo, y en ello se nos indica un sendero en el medio. Con ello se dispone el orden interno de nuestra Heptada, pues es en esa correcta actitud y acción que podemos desarrollarnos y progresar tanto como individualidad o como grupo.

Se nos dice que entre la ley y la espada se encuentra el correcto accionar de los hermanos, hay quienes pueden creer que hace simplemente referencia a la ley y al castigo, hilando mucho más fino podemos decir que nuestro sendero se encuentra entre nuestra realidad física como Heptada y los arquetipos que nos brindan nuestros símbolos.

La espada es entonces la vía de la inteligencia y la conducta, tomando conciencia de nuestro eje interno, el sendero del medio que nos conduce a la reintegración, el camino del iniciado.

Equilibrando los filos de nuestro espíritu siendo intermediarios de la Voluntad Superior.

La correcta ó incorrecta forma de utilizar un símbolo está en nosotros, nosotros buscamos el acierto ó el error y por él somos responsables.

Si salimos del sendero del medio nos quedan los filos...

Hermanos míos, todos tenemos nuestra espada, el verbo, que como los antiguos caballeros hace retroceder a los dragones de la ignorancia, la mentira, la ambición, las tinieblas y el caos... construyendo entre nosotros una fraternidad, una egregor pujante y realizadora de los ideales de nuestros Maestros del pasado, los Superiores Incógnitos...

Nosotros, Martinistas, caballeros de la verdad, debemos llevar los fecundantes principios de nuestra Orden a la totalidad de la sociedad, allí donde nuestros pasos nos lleven, pero con la discreción necesaria.

No limitaremos nuestra acción a los templos, sino al Gran Templo que es la creación y a la gloria del Gran Arquitecto del Universo.

Tal vez ahora vemos por que la espada se nos brinda, como decíamos al principio, como elemento defensivo y ordenador; si cada hermano se hace uno con su simbolismo es materialmente imposible otro destino. Si encarna en él los valores y conocimientos necesarios la fraternidad y la unión surgen instantáneamente. Pues quien puede velar mejor por un hermano que otro hermano. La espada que el Maestro de la Heptada tiene la autoridad para utilizar es también nuestra pues nos hemos adherido a su simbología y la respaldamos con nuestro conocimiento, nuestro poder interior.

Somos iniciados y conocemos el lenguaje secreto... el silencio y la acción son nuestro sello, tal como nuestro Venerable Maestro firmó sus inspiradores escritos... Filósofos Desconocidos.

Saturday, February 25, 2006

Algunos Principios Generales de la Orden Martinista

La Escuela Martinista de los Filósofos Desconocidos fue fundada por L. C. de San-Martín.

La Orden Martinista es estrictamente una Orden esotérica basada en el sistema de Logias que perpetúa una cadena Iniciática que transmitió Martínez de Pasqually y Louis Claude de San-Martín; ambos Hermanos de la Rosa+Cruz en el siglo XVIII.

Las enseñanzas se basan en un sistema de pensamiento filosófico, esencialmente una Gnosis Cristiana, basada principalmente en los principios doctrinales recogidos en el tratado llamado El Tratado de la Reintegración de los Seres a sus originales virtudes, poderes y cualidades, escrito por Martínez de Pasqually.

Este trabajo da una interpretación particular de la Creación, de la Jerarquía de Seres, de la Caída del Hombre y de la forma que tiene el Hombre de recobrar su estado original y restablecer sus privilegios. Martínez de Pasqually consideraba que el ser humano está en el exilio en esta existencia terrenal privado de todos sus verdaderos poderes.

Por consiguiente, el objetivo principal del hombre debe ser trabajar para ser restaurado a la condición original. Esto puede lograrse siguiendo ciertas técnicas.

L. C. de San-Martín le dio un carácter más contemplativo al Martinismo. Él abandonó las prácticas teúrgicas de su Maestro y encontró medios más espirituales para lograr el mismo resultado, así desarrolló lo que es conocido en terminología Martinista como el Camino Interno de Reintegración.

La similitud de nombres entre Martínez y San-Martín ha dado lugar a mucha confusión acerca de a quien seguían los Martinistas. La respuesta es bastante simple: a ambos.

Sus respectivos seguidores comparten la misma creencia: la Gloria Divina del Origen del Hombre, y el mismo objetivo: recobrar esa gloriosa Divinidad. Sólo sus métodos varían, unos más partidarios de la técnica basada en la teurgia, otros en la técnica de la guía interna e iluminación.

El propósito de la Orden es ayudar a la iniciación interna. La iniciación no puede comprarse, aunque si puede ser auxiliada mediante la transmisión de la cadena iniciática a estudiantes preparados apropiadamente.

A todos los que desean entrar en la Hermandad se les permite encontrar su propio camino. La Orden Martinista tiene miembros de ambos sexos siguiendo la herencia de San Martín para extender la Luz Espiritual.

La Orden Martinista junta a los miembros de ambos sexos en Grupos, sin diferencia acerca de su raza, nacionalidad, fe religiosa, ideología política, clase, sexo o condición social, teniendo como objetivo la mejora espiritual de sus miembros mediante el estudio y el conocimiento de la tradición iniciática.

La Orden no impone ninguna restricción doctrinal dogmática a sus miembros.

La Orden enseña todo lo que considera útil y deja a los miembros la aplicación del conocimiento adquirido según su propia experiencia y asimilación.


La enseñanza se divide en tres Grados llamados:

Asociado

Iniciado

Superior Incógnito



Los postulantes deben ser libres, honrados, de buena moral y cumplir con las leyes del país en que vivan. Su conducta como un ciudadano libre debe ser pura.

Los postulantes deben mostrar gran tolerancia hacia todas las religiones. Considerar a todos los que componen la Humanidad como sus Hermanos. Estar siempre dispuestos a perdonar y eliminar, en lo posible, todo los impulsos de rencor o venganza. Estar dispuestos a practicar la bondad, y ayudar tanto como sus posibilidades lo permitan, al débil y necesitado.

Gregorio Ottonovich de Mebes, a.k.a. GOM

Gregorio Ottonovich de Mebes, conocido entre sus discípulos bajo el nombre de GOM, fue uno de los grandes esoteristas de nuestro tiempo. Su cultura era muy vasta. Nació en Suecia y ya adulto emigró a Rusia, donde se radicó, dedicándose a la enseñanza.

Conocedor de muchos idiomas: sueco, suizo, francés, alemán, latín, griego, hebreo, sánscrito, entre otros, dio clases de francés en la Escuela Militar de Los Pages y enseñó matemáticas en los cursos superiores de la Escuela Militar Nicolás I (Cuerpo de Cadetes de Nicolás I), asimismo daba clases privadas a las hijas del Gran Duque Constantino. Este era el aspecto externo de este lingüista, matemático y mítico.

Por otra parte, encabezó, durante muchos años en Rusia, a la Orden Francmasónica del Rito Escocés Antiguo y Aceptado, a la Orden Martinista, presidiendo la Logia de San Petersburgo y a la Orden de los Rosa Cruces rusos (Rosacruces Rusos de la Fama Fraternitatis).

Después de la revolución bolchevique optó por quedarse para no abandonar las organizaciones místicas que dirigía, aunque comprendió perfectamente que su permanencia en Petrogrado iba a serle muy peligrosa. En los años siguientes las tres Ordenes Iniciáticas dirigidas por GOM continuaron su labor desde la obscuridad del bolchevismo militante, como conservadores de la antorcha del conocimiento puro y del servicio a la verdad.

En 1926, por orden del gobierno, las Logias son aniquiladas y destruidos los manuscritos y libros de gran valor. GOM, junto con sus colaboradores, son arrastrados y relegados al campo de concentración de Medvazia Gora, en el extremo norte de Rusia; posteriormente fue relegado a la pequeña ciudad nortina de Usty Sisol, donde murió en 1930, a la edad de 76 años.

El Tarot de Mounni Shaddu no es otro que un curso desarrollado por Gregorio Ottonovich, dictado por él en el año académico de 1911-1912 en San Petersburgo. Las conferencias fueron anotadas por Olga Eugraforna Negornaya, discípula del maestro y corregidas por GOM mismo.

Nicolás Rogalev (Nabusar) fue también destacado discípulo de GOM y, debiéndose exiliar con motivo de la Revolución Bolchevique, viajó a Argentina y luego se radicó en Chile, trayendo una copia de este curso enciclopédico de GOM recopilado por Olga Eugraforna. Así tuvimos conocimiento de esta enseñanza original, aún antes que conociéramos el libro de Mounni Shaddu donde fue modificada.

Este curso enciclopédico de GOM ha sido una enseñanza de inmenso valor para el desarrollo iniciático real de nuestros estudiantes y lo continuamos entregando, actualizado a los nuevos tiempos y conocimientos.


Preparado por Serval, S:::I:::I:::

A Livre Iniciação Martinista por um S:::I:::



Aquele que se encontra na senda, que o levará a iluminação, sempre imagina aquele momento sagrado, em que, a descida da Pomba Dourada do Espírito Santo, elevará o seu nível de consciência, ao nível cósmico, revelando os mistérios da existência, e trazendo a tão almejada Paz Profunda.

Para que este nível de consciência cósmica ou Crística seja alcançado, o aluno ou discípulo, deve ser orientado por um professor ou mestre, que lhe dará o estímulo e os elementos de trabalho, para tão alto nível de consecução. Este é aquele momento especial que se diz, que quando o discípulo estiver preparado o mestre aparecerá.

Imagina-se que tal encontro entre mestre e discípulo, possa ocorrer a um nível objetivo ou psíquico, e o iniciador, através de uma cerimônia mágica, transmite a Luz para o iniciando.

Neste momento, lhe é revelado a Palavra Perdida, o verbo da criação, as poderosas vibrações, segundo as quais o universo veio a existir, harmonizando-se com a hierarquia das vibrações celestiais, tornando-se ele também um criador, a palavra viva, o verbo que se fez carne.

O Cristo foi a Luz do Mundo, que emulado, nos leva ao reino dos céus. Tal como os Apóstolos foram iluminados pelo Espírito Santo, esperamos, que na ocasião apropriada, possa cada um de nós, quando devidamente preparado, receber tamanha graça e assim unir nossa consciência à do Pai Celestial.

No evangelho de São João temos as seguintes passagens, referentes ao ritual de transmissão do Espírito Santo, que levaria à consciência Crística:


Versículo 20, parágrafo 5:

Aparições aos discípulos

Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio (projeção astral!) e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: “A paz esteja convosco!”. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós”. Depois destas palavras soprou sobre eles dizendo-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.


Atos dos Apóstolos, versículo 1, parágrafos 2, 3, e 4:

A ascensão

E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem aí o cumprimento da promessa de seu Pai, “que ouvistes, disse ele, da minha boca: porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias”.

Assim reunidos, eles o interrogavam: “Senhor, é porventura agora que ides restaurar o reino de Israel?” Respondeu-lhes ele: “Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder; mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo”.

Dizendo isto, elevou-se (da terra) à vista deles, e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhe aparecem dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: “Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Este Jesus acaba de vos ser arrebatado para o céu, voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu”.


Atos dos Apóstolos, versículo 2, parágrafo 1:

Vinda do Espírito Santo

Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceram-lhes uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.


Saint-Martin era detentor de uma iniciação que remontava, supomos nós, ao Cristo e a sua escola secreta. Para o discípulo devidamente preparado, através de um momento mágico e único, a transmitia, junto com a autoridade para que este fosse livre para passá-la adiante, formando assim, um elo de uma corrente que, através do Cristo, os ligava ao reino da sublime LUZ.

Com o intuito de garantir a regularidade desta livre iniciação, que segundo Papus, são revelados ao iniciando o significado sagrado de “Duas Letras e Alguns Pontos”, organizou em 1891, um Supremo Conselho de Livre Iniciadores e fundou a Ordem Martinista, dividindo-a em quatro partes ou quatro graus:

Grau Associado

Grau Místico ou Iniciado

Grau dos Superiores Incógnitos ou S:::I:::

Grau dos Filósofos Desconhecidos, dos Superiores Incógnitos Iniciadores ou dos Livres Iniciadores (S:::I::: IV, S:::I:::I::: ou L:::I:::)


Desta forma, aqueles possuidores do quarto grau seriam livres iniciadores, detentores tal como Saint-Martin, do poder de, por livre escolha iniciar aqueles que estivessem preparados.

Obviamente, haviam aqueles Livres Iniciadores que permaneceram independentes de qualquer Ordem Martinista, os denominados Martinistas Livres ou Free Martinistas, que até hoje, incognitamente, perpetuam o trabalho de Saint-Martin.

Assim, espera-se que uma Ordem Martinista, comprometida com a livre iniciação de Saint-Martin e com a sua divisão em graus, estabelecida por Papus, crie um Conselho Supremo de Livres Iniciadores, devidamente confirmados na cadeia de iniciações, com a finalidade de garantir:

I – Que todos os membros tenham acesso aos quatros graus obtendo assim a Iniciação Completa estabelecida por Saint-Martin;

II – Que os rituais originais utilizados por Papus para as iniciações aos graus, não sejam modificados, para que assim não se elimine elementos importantes da Livre Iniciação original de Saint-Martin e por razões semelhantes, que se garanta a autenticidade dos rituais de abertura e fechamento dos quatro graus;

III – Que aqueles que presidirem as iniciações a todos os graus, sejam comprovadamente S:::I::: IV, ou seja, Livres Iniciadores;

IV – Que todas as iniciações sejam devidamente registradas, com a emissão dos respectivos certificados autenticados e constando a identificação do Livre Iniciador, com seu nome místico e código na Cadeia Mágica de Livres Iniciadores;

V – Que o estabelecimento do nome místico, não similares, com a sua codificação correta na cadeia mágica de Livres Iniciadores, fique restrito somente aqueles que efetivamente obtiverem o Grau IV de Livre Iniciador.


Na referência abaixo, existe a narração de uma iniciação, pela qual, segundo o autor, teria passado o Papa João XXIII, Ângelo Roncalli, durante o ano de 1935. Verdadeira ou não, é uma dramatização sobre a qual vale a pena meditar.

A iniciação ocorre após o iniciador lhe ter revelado, psiquicamente, durante sete noites, os conteúdos dos livros T e do livro M:


Acompanhado pelo iniciador, Ângelo deixou-se guiar pela certeza da voz que tinha dentro de si. Galgou duas breves rampas de escada quase no escuro; encontrou-se diante de outra porta, ainda menor e mais baixa que a da entrada; empurrou-a, sabendo que a encontraria entreaberta. Entrou.

O aposento era grande, com paredes em forma de pentágono. As paredes nuas, as duas grandes janelas fechadas. No aposento, apenas uma grande mesa de cedro, essa também pentagonal, exatamente no centro do ambiente. Depois, três poltronas, colocadas ao abrigo de três das paredes. Sobre as poltronas, uma túnica de linho, faixas coloridas, estojos fechados por um lacre vermelho.

E sobre a mesa uma Bíblia aberta no princípio do Evangelho de João; uma espada flamejante, com empunhadura de prata; um turíbulo; faixas de pano coloridas, dois candelabros de bronze, com três pequenos braços e três velas vermelhas cada um. Depois o símbolo mágico e esotérico da Ordem na qual Ângelo seria dentro em pouco iniciado. Sob o símbolo, três rosas cruzadas, de pano. Uma branca, uma vermelha, uma negra.

O ambiente estava apenas aclarado, e pouco, pelas luzes de um dos candelabros, com três velas acesas. As do outro estavam apagada. Ângelo permaneceu de pé junto à mesa. Olhou tais objetos, que, enfim, após a leitura dos livros sagrados no sonho, lhe diziam muito; ousou apenas tocá-los. Enquanto esperava, pôs-se a ler as primeiras linhas do Evangelho de São João, que sempre o fascinara, que conseguira penetrar até em suas chaves ocultas.

Retraiu-se, quando ouviu ligeiros passos atrás de si.

O Mestre. E o seu sorriso. Entrara havia a pouco, a porta estava fechada às suas costas. Envergava uma túnica de linho, a fazenda que isola e protege em todas as cerimônias iniciáticas, longa até os pés. No pescoço, trazia o símbolo mágico da Ordem, de prata, com uma corrente trançada de nós templários. Nas mãos, luvas brancas, cabeça descoberta. Aproximou-se, sem deixar de sorrir, apoiou uma das mãos no ombro direito de Ângelo.

Ajoelha-se, mas apenas sobre o joelho direito.

Ele obedeceu, e teve início a cerimônia.

O mestre explicou ao profano o significado de cada um dos objetos que ali se viam, a sua simbologia. Depois, pegou um dos estojos lacrados, abriu-o e leu seu conteúdo num manuscrito de papel azul. Eram as antigas regras da Ordem.

Abriu um outro estojo, entregou um manuscrito a Ângelo a fim de que o lesse: continha sete perguntas.

-- Estás disposto a responder? - pergunta-lhe o mestre.

Ângelo assentiu, restituindo o manuscrito, e então o mestre acende com a chama de uma das velas três velas do outro candelabro.

-- Estas luzes para os mestres passados, para que estejam próximos neste momento.

Deitou incenso no turíbulo, purificou o aposento, girando três vezes e agitando o turíbulo três vezes para cada giro, em cada ângulo. Voltou à mesa, depôs a mão sobre a cabeça do profano e falou:

Disse-lhe dos mistérios da Ordem.

Fez as perguntas.

Obteve as respostas.

Por fim, o velho inclinou-se sobre ele.

-- Em nossa Ordem, como sabes, conhecemo-nos pelo nome que escolhemos. É o sinal da nossa liberdade, o programa do trabalho solitário, o fechamento do novo anel da corrente. Qual será seu nome?

O profano não hesitou, erguendo a cabeça.

-- Johannes (João).

-- Johannes - repetiu o velho.

E deu início ao complexo particular ritual da cerimônia de iniciação.

Ao terminar, depôs sua espada sobre a cabeça do neófito. E nesse momento, enquanto alguma coisa fora crescendo cada vez mais, algo de novo e de inapreensível, em Johannes, explode dentro dele. Sentiu-se aturdido, confuso. Ao máximo da serenidade, da felicidade.

-- O que está sentindo, irmão Johannes - disse o mestre - outros o sentiram antes de ti, eu próprio, os mestres passados, os outros irmãos que percorreram o mundo. Chama-se luz, mas não tem nome.

O mestre auxiliou o discípulo a se levantar, beijou-o sete vezes, trocando com ele a saudação fraterna. Em seguida, ensinou-lhe as palavras secretas, os sinais de reconhecimento, os toques, os rituais do trabalho em grupo. Verbalmente, segundo a tradição oral.

Ensinou-lhe, em seguida, o trabalho diário a ser cumprido em segredo, em três precisos momentos da jornada, correspondentes aos três pontos de operação do sol. Uma frase em grego a repetir, sinais a executar.

-- Nos mesmos três momentos - explicou-lhe - em cada parte do mundo, os nossos irmãos executam os mesmos gestos, repetem esta mesma frase. É grande a sua força, vem de longe, vai distante. E age, dia a dia, sobre a humanidade.

Por derradeiro, o mestre apanha o último estojo lacrado, abre-o e entrega o conteúdo a Johannes. Era um manuscrito com a fórmula do juramento. Juramento de não revelar os segredos da Ordem, de seguir a tradição, de agir em favor do bem, de mostrar-se sempre forte, de socorrer os irmãos e os necessitados, de respeitar especialmente a Lei de Deus e os seus ministros.

Johannes assinou, também sem hesitar. Sentia interiormente uma grande força. E ao lado da assinatura, pôs o número e a sigla que o mestre lhe indicou. Esta lhe caracterizava a afiliação e o grau.

O mestre recolheu o manuscrito, dobrou-o sete vezes e pediu ao discípulo que o espetasse na ponta da espada flamejante. Isto feito, o mestre estendeu a espada na direção do candelabro em que ardiam as chamas dos mestres passados: o fogo lambeu o papel. E o juramento, em alguns segundos, transformou-se em cinza, que o mestre, com a espada, dispersou.

-- Johannes, tu juraste, mas sabe que a liberdade dos irmãos é superior a todo juramento.

És hoje verdadeiramente livre.

Beijou-o outra vez.

Johannes chora.




Referência:
As Profecias do Papa João XXIII
Pier Carpi

Friday, February 24, 2006

A Livre Iniciação segundo Louis-Claude de Saint-Martin, Saint-Germain e Cagliostro


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PARA AQUELE QUE NÃO SE DEVE NOMEAR

Paz. Paz no triângulo, na pirâmide, nos três pontos que conhecemos, reconhecemos e revelamos.

A paz das chamas dos mestres passados nas três cores sagradas.

Reconhecemo-nos no vermelho do sacrifício que cimenta o casamento do branco e do negro, que ninguém jamais saberá separar até o fim dos tempos ocultos nos tempos. Estão abertas as asas do pelicano. Escancarado está o peito, dos mestres a nós, aos discípulos.

Àqueles que chamaremos mestres.

Aos irmãos.

H.M.T.

Livres os irmãos, livres os mestres no desígnio que continua.

Livre na espada, na máscara, na mão.


Quando foi pedido destruí-vos está conservado.

Mas os filhos da descendência da águia e da serpente, da flecha e da serpente, saberão reconhecer-se fora das celas.

Hoje se atraem e se encontram na estrada com a carne viva dos mestres passados. E unidos são luz.

O Templo foi destruído porque é imortal. Não tinha teto, hoje não tem paredes. É o mesmo que a mesa do sol.

O Templo está em toda parte e os nossos passos serão sempre mais ligeiros.

Escolhei o tempo e o nome. Escolhei o homem. E imponde-vos pela força que possuís. Conhecei o gesto e a palavra. Sede livres, como livres foram os mestres.

E apenas sobre o silêncio construí a palavra.

Procurai-a em vós. Seja sempre a mesma da operação do sol. No grande Templo renascido nasce o Templo do momento quando vos encontrastes. E jamais quebreis a corrente. Nós somos vossas testemunhas.

H.M.T.

Consumi-vos e vos enriquecereis.

Deixai profundas pegadas em vosso caminho, sempre de sul a norte, como o vento quer. Não vos volteis.

E estas são as quatro partes do mundo.

A primeira luz.

A corrente de luz.

A luz no punho.

A primeira luz que dareis.

Sede livres no fazê-lo. Escutai a chamada de quem quer. Sede livres no escolher. E do juramento fazei fogo pela liberdade de ser.

H.M.T.

Procurai os sepulcros. Não o tiveram os nossos mestres, não os teremos nós, vós não os tereis. Eles vivem, procurai-os.

Para aquele que não se deve nomear.

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(assinaturas do próprio punho)


LOUIS-CLAUDE DE SAINT-MARTIN S:::I:::I:::

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CONDE DE SAINT-GERMAIN R-C

CONDE DE CAGLIOSTRO G.C.


Assim, segundo a referência abaixo, o documento acima foi redigido pelos três mestres, que se encontraram no laboratório alquímico de Cagliostro, em Paris. Teve pôr finalidade perpetuar um conceito iniciático que estaria prestes a se perder e que se funda na liberdade do homem.

Desta forma, foi restituída a tradição esotérica autêntica, que concedia aos iniciados serem LIVRES INICIADORES. Escolherem os discípulos, formarem a corrente, a seguir a descendência.

Donde, os Superiores Incógnitos ou Desconhecidos, são sobretudo livres. Possuem poderes iniciáticos provindos dos mestres passados, graças a uma corrente que jamais se interrompeu. Decidem pôr si sós qual o discípulo a iniciar e quando. Filiam-no, procedem a sós a cerimônia no decorrer da qual transmitem a LUZ.



Referência:
As Profecias do Papa João XXIII
Pier Carpi

Principios y Doctrina de la Orden Martinista


UN POCO DE HISTORIA

Para comprender mejor la Orden Martinista haremos referencia a la aparición de las escuelas iniciáticas de Europa. En el año 1118 fue la fundación de la Orden de los Templarios que trajo durante las cruzadas de Arabia y Palestina, la luz de la enseñanza gnóstica. El ideal de la Orden era el Reino de Dios en la Tierra encarnado en el Estado Perfecto, equilibrado en los tres planos. Reino de paz y unidad de todas las naciones sin distinción de razas ni castas.

En este estado, el influjo Superior debe emanar de la región mística, vivificar el poder astral, dirigir e instruir el poder realizador, creando por su intermedio la prosperidad, felicidad y posibilidad de trabajo evolutivo.

El poder mágico y las grandes riquezas de la Orden produjeron temor y envidia por parte del Rey de Francia, Felipe el Hermoso, y del Papa Clemente V. Los caballeros de la orden fueron calumniados y acusados de dedicarse a la magia negra.

En 1307 el Gran Maestro de la Orden, Jacobo Burgundo de Mollay y parte de los caballeros fueron quemados vivos. Después de unos ochenta años de la destrucción de la Orden de los Caballeros del Templo, el alma colectiva templaria materializó en la Tierra el movimiento denominado Rosa Crucismo Primario. Esta nueva orden fue fundada en Alemania, según la leyenda, por Christian Rosencreutz (1378-1484).

Debemos admitir que la Orden Rosa Cruz es la heredera espiritual de la Orden Templaria, digamos su reencarnación. Es poseedora de la sabiduría Gnóstica, Hermetismo y Cristianismo Juanítico de los primeros siglos. El Rosacrucismo Primario tenía muy pocos adeptos porque las exigencias eran muy elevadas y el reglamento de la Orden muy severo, siendo muy pocos los capaces de cumplirlo.

En el siglo XVI el Rosacrucismo Primario se transformó en Secundario, exigiendo de sus miembros solamente la capacidad de pensamiento científico, intereses amplios y dedicados a la idea del bien.

Eran personas excepcionalmente intelectuales, de erudición, voluntad poderosa y opinión determinada sobre la futura humanidad. La acción del rosacrucismo en el mundo externo fue muy prudente porque estaba muy vivo el recuerdo del trágico fin de los Templarios y el alma colectiva de la cadena de Jacobo de Mollay vibraba en sentido de cautela. Resultado de esta vibración fue la fundación de la Orden Masónica.

Siguiendo las huellas de los movimientos iniciáticos occidentales, pasamos a la mitad del siglo XVIII en que aparece la corriente del Iluminismo Cristiano que se conoce bajo el nombre de ORDEN MARTINISTA.

Por el año 1760 el gran cabalista portugués, Martinez de Pasqually funda la hermandad de los Elus Cohen o Sacerdotes escogidos, que tenía el carácter de rosacrucismo modernizado. (Existe la leyenda que Martinez de Pasqually es una reencarnación de Christian Rosencreutz).

La escuela de Martinez de Pasqually puede caracterizarse como una cadena mágico-teúrgica, con predominación de métodos puramente mágicos.

Después de la muerte de Pasqually, dos de sus discípulos siguen el trabajo de la cadena, pero introducen algunos cambios. Juan Bautista Willermoz introduce el tinte masónico. Pero el conocido filósofo Teurgo Louis-Claude de Saint-Martin, el Filósofo Incógnito, da a la escuela una forma místico-teúrgica, prefiriendo en oposición a la de Willermoz, la institución de la iniciación libre.

Este último sistema fue en esa época una novedad pues daba la posibilidad de transmisión sucesiva de los tres elementos - mental, astral y físico - del ciclo de iniciación en el plano físico, prescindiendo de la existencia de logias.

La influencia de Saint-Martin predomina y nace la corriente que por su nombre es llamada Martinismo, que podría ser también una derivación del nombre de Martinez de Pasqually.

El iniciado Martinista es aquél que dirige su pensamiento al mundo interno, mundo del espíritu que le conduce al CONOCIMIENTO DE SÍ MISMO y al conocimiento del universo, del cuerpo y de los dioses que habitan en él”.


Preparado por Iésod, S:::I:::

A Ciência Secreta – ADVERTÊNCIA por Henri Durville (*)


Leitor que vens ao limiar do mistério, qual a força que te impele a vir afrontá-lo? É simples curiosidade? Queres tu, com uma mão ímpia, pois que és indiferente, levantar o véu que te oculta o que só com longos estudos pode ser revelado? Se é este o estado de tua alma, retira-te, fecha este livro; não te é destinado. É uma obra de trabalho e não de divertimento.

Pesquisas o poder brutal, o domínio deste mundo? Esperas tu achar nestes estudos a possibilidade de saciar as tuas paixões, os teus ódios, amores, ambições, rancores? Este livro não é feito para ti. A pesquisa que ele comporta não te daria senão desilusões, porque o fim que ele se propõe é todo diferente e mesmo oposto.

Procuras o ganho material? Não será aqui que tu o encontrarás; este livro é um estudo desinteressado para dar a todos a felicidade, que vem da paz da alma e do bem feito em torno de si.

Nele não se encontra nenhuma idéia cúpida.

Simples curioso, e tu, ambicioso, que acreditas ter nascido para seres o conquistador do mundo, isso não é para vós, para os vossos corações presos ao tumulto das paixões vãs, que esta obra foi feita. Os segredos reais que ela revela não são para vós que não lhes dais o que pedem estes trabalhos: um coração meigo a uma alma forte.

No estado atual da vossa perturbação, não os compreendereis. Não falamos a mesma linguagem e os propósitos que escolhemos não fariam desaparecer a barreira que nos separa. Não procureis levantar o véu antes de terdes mudado os vossos desejos.

Desgraçados que tendes sofrido e que não tendes sabido perdoar, se procurardes aqui meios de vingança, não volteis mesmo esta página. Este livro é um livro de amor e de altruísmo; não continueis a sua leitura; esperai que a sua leitura apazigúe vosso coração.

Daqui até lá, vosso dia ainda não é chegado; não saberíeis ainda ver nestas páginas a ternura e a alegria que quisemos expressar.

* * *

Porém tu, leitor, que tens sofrido longamente e a quem a dor revelou a palavra deste grande enigma que conduz ao limiar da verdadeira senda; tu que queres sair do tormento e inclinar para aqueles que te têm feito mal, uma fronte cheia de bons pensamentos, tu que sinceramente desejas fazer participar aos outros da paz divina que o sofrimento fez brotar do teu coração, este livro é para ti; ele é para todos aqueles que se apaixonam pela pesquisa da verdade e do bem.

Tu, que vens a mim com estes sentimentos, aproxima-te sem medo; enceta ousadamente o caminho iniciático. É este mesmo o caminho que procuras no fundo da tua grande angústia.

É no fim deste caminho que encontrarás a alegria que provém da força calma e soberana, da paz divina que se encontra apenas na senda do bem. Se tens um desejo sincero de encontrar a verdade nestes estudos, entrega-te, com o coração seguro às forças do bem, a estes trabalhos; é aí que encontrarás luz, e procurá-la-emos juntos.

O que te falta, tu que sofres, ferido pelo pelos espinhos do caminho, é este apaziguamento que vem sempre àquele cujo coração está sem ódio e sem cólera. Tu conhecerás este apaziguamento no equilíbrio de teus deveres e de tuas forças e eu te ajudarei a encontrar, a fim de que sua colheita seja doce, como o labor foi penoso; a dor é um semeador cruel, mas muitas vezes necessário.

Queres adquirir as forças não somente para ti mesmo, mas, sobretudo para os outros! Se tal é o teu pensamento, tu as encontrarás seguramente. Podes, com toda a certeza, dedicar-te a estes estudos que te seduzem. É na sua prática que adquirirás as energias que desejas. Se a tua ambição é de te aperfeiçoares no silêncio, de apressares a evolução do teu espírito, sem ter nenhuma opinião a respeito do mundo, estuda, trabalha; o resultado não se fará esperar, ultrapassará as tuas esperanças.

Se o teu coração, na vida material, aspira aos mais belos, aos mais vastos horizontes, segue o traço dos iniciados, vem conosco pela senda que vai ter à luz. Embrenha-te por este caminho e verás brilhar uma vida nova sob um sol sempre belo. A Verdade, a Alegria e a Paz resplandecem ao cimo aonde conduz este caminho.

Este livro não tem nada de novo. Seria uma louca pretensão imaginar que se inova seguindo os Sábios e os Iniciados. Em todos os tempos não têm exprimido, cada um segundo a sua própria natureza e a sua própria missão, as verdades eternas? Mas estas palavras são sempre boas para dizer e convém adaptá-las à vida moderna, a fim de que seus frutos sejam abundantes. É a esta tarefa, que no presente livro, votamos todos os nossos esforços.

Mas, se as palavras não são novas, perdem elas as suas forças?

Não se escuta sempre com um novo prazer uma bela música mil vezes compreendida? Aquele que ama não tem uma grande emoção ao escutar murmurar novamente palavras que fazem a sua alegria? Não são elas, sem cessar, as mais preciosas?

E o coração ferido vibra sempre mais docemente às caras lembranças evocadas. E estas lembranças mesmas, o amoroso não se agrada se evocar nas suas horas de solidão? Não lhe empresta uma força sedutora que mostra o futuro tão feliz como o passado? Tudo isso são repetições, mas as repetições são preciosas principalmente a Deus, que não repete senão o que é bom e alegre, que não faz vibrar em torno das almas senão palavras amigas e benéficas que dão a calma encantada.

* * *

A ciência que tu pesquisas é uma ciência de todos os tempos. Seu fim é o aperfeiçoamento do ser humano, é torná-lo feliz – não em procurar-lhe paixões brutais e aviltantes, mas fazendo-lhe conhecer o seu lugar exato no mundo, em revelar-lhe o fim que deve atingir. Os elementos desta ciência são repartidos em muitos livros; propomo-nos a agrupá-los, restituí-los em um método adaptado às novas necessidades de nosso tempo, justificá-los pelos conhecimentos atuais que temos deste grande domínio que é o Psiquismo. Longe dos olhares, agrada-nos folhear essas velhas obras onde dorme a sabedoria do mundo, decifrar os enigmas que os sábios quiseram empregar no tempo da perseguição, reencontrar nos símbolos das religiões antigas, no segredo das iniciações antigas, pensamentos cuja única leitura nos mergulha em um mundo de lembranças do qual o nosso espírito e o nosso coração saem rejuvenescidos e revigorados. É esta alegria, esta serenidade, este vigor novo de toda a nossa pessoa que queremos fazer sentir.

Este livro se propõe, portanto, a fazer sentir e ensinar uma ciência, mas qual? Os autores antigos aprenderam os elementos desta ciência, pelas iniciações que se davam no templo, de maneira severa e medida. Eles dizem, em palavras encobertas, àqueles que as sabem entender, que os dons sublimes constituem o mais magnífico patrimônio, de que se orgulha a humanidade. Aquele que sofre esta ascese possui faculdades que nem imaginava mesmo antes.

Estas faculdades eram latentes nele, e elas teriam ficado sem a cultura que se impõe. Mas, trabalhando, um desabrochar magnífico se produz. A intuição que todos nós possuímos em estado latente e em seus graus diversos, não é mais, entre os adeptos, um dom caprichoso, submetido a variações imprevistas. Elas vêm a ser um sentido aperfeiçoado de que se torna senhor tanto na sua vista como no seu ouvido.

Aprende-se a ver, a ouvir e a sentir, não somente os fatos que afetam os órgãos sensoriais, mas aqueles que se acham fora do domínio deles e aqueles mesmo que se produzem no mundo interior da alma. E assim é para todas as faculdades da alma, todas as quais tomam uma perfeição, uma leveza, uma acuidade que ultrapassa todas as previsões.

Quanto ao fim deste estudo, Salustio definiu perfeitamente, dizendo: “O fim da iniciação é levar o homem a Deus”. É, pois, um desenvolvimento integral.

E o platônico Proclus ajunta: “A iniciação serve para retirar a alma da vida material e lançá-la na Luz”.

É, portanto, um desenvolvimento integral de todo o ser para uma beleza mais perfeita; mais moral, mais energia física e intelectual que nos são dadas para ver a vida sob um novo ângulo.

A iniciação permite sentir os ritmos e as harmonias que tornam a vida tão maravilhosa como os belos poemas e sofrer as leis que regem os fatos tangíveis e que mostram a necessidade como o ritmo do universo.

* * *

É, pois, um novo ciclo que começa para ti, leitor, ao cederes à atração apaixonada da ciência. Se te compenetrares dos ensinamentos que vais receber, se souberes refletir, gozarás todos os encantos de uma nova vida. Isto não é simplesmente uma ciência teórica, mas ao mesmo tempo uma doutrina moral e intelectual, um exercício que tem por fim modificar-te profundamente. Segue os conselhos que te serão dados e sentirás o teu espírito engrandecer para abraçar as idéias eternas e magníficas. Teu coração abrir-se-á fraternalmente ao amor. Em ti, como o diamante em seu engaste, reside uma força que pode fazer milagres, mas é preciso que o diamante seja arrancado da pedra; é preciso que seja talhado para receber o puro beijo da Luz e irradiá-lo em fogo cintilante. Que seria a Luz se tu a recebesses sem projetá-la sobre o mundo com tanto poder e doçura quanto ela te é dada?

Este trabalho pode parecer-te penoso; não o é. Primeiramente tu não estarás só. O isolamento pode tornar bem árido os pensamentos mais admiráveis, quando é preciso adquiri-los por si mesmos. Aí ainda serás ajudado, sustentado; sentir-te-ás em harmonia de pensamento com um agrupamento todo fraternal que partilha os teus sentimentos.

A solidão que tens sofrido te conduz a refletir. A desilusão que, talvez, tenhas sofrido te conduz a encarar o mundo e a vida sob um aspecto mais exato. Entregue a ti mesmo, lançaste ao abismo da experiência tudo o que mancha a pureza de tua visão. Duvidaste do bem e do mal; tu te sentiste desamparado, sem apoio, mesmo em teu pensamento, contra o desespero que te assaltava. Agora, é com um passo seguro que vais caminhar por esta Luz que o teu desejo procura, que por instantes se vai revelar no fundo de teu ser agitado. Tens visto clarões como uma brilhante miragem. Tudo está bem mudado atualmente. Esses clarões passageiros tomam uma claridade forte e constante que não deixará em sua obscuridade nenhum traço de teu caminho. Toda a sombra se dissipa quando se procura a Luz fora das trevas do egoísmo. A vida abre-se diante de teus passos, a vida tal como é e deve ser, a vida na sua beleza plena.

Vais caminhar para o conhecimento que não fazias senão imaginar e que tu vais acolher na agradável certeza despertada naqueles que trabalham. Os vastos horizontes do pensamento vão se desenrolar diante de ti, enervando o teu olhar e o teu espírito. E o esplendor dessas visões serenas é tão grande e tão perfeito que a sua beleza penetrará até o teu coração como a harmonia pungente de um canto.

Guiado por suaves encantamentos, avançarás sempre com mais alegria para o panorama soberbo das formas e das idéias até este Templo da Sabedoria que te chama.

O momento em que vives é penoso. As crenças estão em derrota; os homens se voltam para gozarem as suas paixões. O ser caminha muitas vezes sem fé, a esmo. Ele lê, sem prazer e sem apego, o que lhe dizem as religiões e as filosofias; não percebeu o conjunto e encontrou contradições que lhe pareceram desconcertantes. Tornou-se pessimista e não encontrou mais a base da moral. Por outro lado, o mistério não o satisfaz; está ávido de claridade. Chegou a rejeitar tudo, os dogmas e as suas conseqüências. É contra esta forma de espírito que é preciso reagir.

Somos rodeados de forças. Entre elas, muitas são más e não devemos deixá-las dominar-nos. Para resistir utilmente, devemos fazer um apelo às forças superiores, construtivas, que não se recusam auxiliar. Quando as tivermos conhecido e invocado, nos será possível sair do tormento, procurar e, portanto, achar a paz do coração, o desvanecimento do espírito, o ritmo da evolução. Tu que vens a estes estudos já não estás tão isolado. Juntos, o teu coração morto florescerá. Conta com segurança com este auxílio, que te é prometido; mas, primeiramente, esforça-te.

É a ti que pertence dirigir a tua evolução.

* * *

O primeiro ponto a cumprir é conhecer-te. Não é sem causa que os antigos tinham feito deste conhecimento o primeiro estágio da sua iniciação.

Saiba quais são as tuas qualidades e os teus defeitos. Deves desenvolver umas e eliminar outros. Purificar-se é a primeira parte de todas as iniciações tal como se tem praticado em todos os templos e em todos os agrupamentos de filósofos.

Em primeiro lugar deves depurar teu corpo, dar-lhe por uma higiene racional forças e um poder talvez perdidos pela doença e por insuficiência de alimentação, pela falta de ar e de exercícios igualmente prejudiciais. Tu deves adotar uma regra na tua vida mais sã, baseada sobre os princípios que dirigem toda a tua conduta. Teu corpo deve obedecer a teu espírito, e se não está em estado de seguir o movimento de teu pensamento de que lhe servirá este pobre servidor? Se seguires as regras que te aconselhei, adaptarás a tua economia material, todos estes órgãos que te são submetidos, aos ritmos que são o eco dos ritmos superiores. Já, por esta cultura, aderirás ao plano divino.

Tomando este cuidado, precisarás fazer a educação de teu espírito. Esforçar-te-ás para ter deste espírito uma direção mais segura, uma vontade calma e operadora. Deves desenvolver em ti as faculdades e não partir desta idéia de que não poderás adquiri-las. Desenvolve também o teu discernimento, porque, sem ele, a vontade é uma barca sem piloto entre os escolhos da vida.

Assim, obterás o império sobre ti mesmo, que te fará senhor do teu inconsciente. Não sofrerás mais o seu impulso, porém, não cedendo senão ao teu espírito, serás tu mesmo em verdade. Cultiva também o silêncio em que te serão revelados os poderes ocultos. Obtém a calma para os teus sentimentos, a fim de que desenvolvam harmoniosamente. Cala-te e reflete na manifestação das opiniões adversas.

Enfim, será a tua força a dizer a palavra conciliadora que religa todas as opiniões. Tu não podes, por ti mesmo, possuir toda a verdade. Por que impões o teu pensamento aos outros?

Sê calmo e o teu exemplo pregará melhor ainda do que as palavras. É o primeiro passo a fazeres para a obtenção dos altos poderes, a conquista das forças em ti e ao redor de ti.

E, em seguida, farás a educação de teu coração. É um cuidado que muitos negligenciam; eles têm sofrido pelo sentimento, crêem não poderem fazer nada de melhor do que negar o coração.

Mas, estes males provêm de uma impulsividade muitas vezes atendida.

Deverás primeiramente refrear esta impulsividade, estas perturbações. Atraído pelas qualidades exteriores, estás talvez muito triste por amar pessoas que não respondem ao teu ideal elevado; pedes-lhes sentimentos que florescem em teu próprio coração e, como elas são diferentes de ti, a ternura delas é desviada ou se manifesta de outro modo não desejado por ti, sofrerás profundamente.

Muitas vezes a falta está em julgar os outros de acordo consigo mesmo. É um escolho a evitar. As dores passadas têm isso de bom: elas te servirão de guia para os acontecimentos futuros.

Seu papel é nos tornar clarividentes ao encontro do que mais nos seduz, nos ensinar a paciência para atingir o desabrochar dos sentimentos dos outros.

Refrear, porém, o coração, não é suprimi-lo; pelo contrário, quando o caminho parecer seguro, tu poderás, em belo surto, procurar a ternura e a glória de uma afeição partilhada.

E, quanto esta alegria, apurada pela pesquisa de um ideal comum, será mais alta e mais pura!

Isto não será uma vitória ou um prazer passageiro como o objeto de tua pesquisa, mas uma comunhão de idéias que te conduzirá a querer o bem do ser amado antes do teu próprio.

O teu coração alargar-se-á e, à margem das ternuras costumeiras, aprenderás a amar a Natureza, a obter de seu seio amigo as lições de calma, de expansão de uma vida nova, de bondade, de doçura, de fraternidade universal. Gozarás a expansão de uma vida nova, a alegria superior de compreender o que começaste a amar cegamente.

A própria Natureza oferecerá o ensinamento dos altos poderes. Que poderás tu desejar a seu respeito? Estes Poderes que pertencem ao iniciado, obtê-lo-ás se fores digno; e se o fores, em lugar de quereres ter o domínio sobre outrem, não pedirás senão a possibilidade de socorrer aqueles que sofrem, de auxiliar aqueles que procuram o seu caminho para irradiar sobre o universo todas as forças benéficas, como faz o sol de estio.

É que o Verbo humano, imagem de forças mais altas, tem poderes ilimitados, ao uso do qual ele soube se tornar mestre. Tu os experimentarás e poderás conhecer este poder mágico de que todo ser humano é dotado, quando a iniciação o tiver revelado e quando tiveres sabido conquistar o teu próprio império.

Estas forças não devem servir senão para altruísticos.

A realidade dos fatos nota-se sempre quando a ação se torna egoísta. Péladan disse: Aquele que crê pedir ao Hermetismo o poder de seduzir, de vencer seus inimigos, de suplantar os seus rivais, será vencido, perecerá. É a transposição mágica destas palavras de Cristo: Aquele que fere com a espada, com a espada será ferido.

Em torno de ti irradiam forças e vibrações que são tais como as produzes, como tu podes criar e dirigir ao teu gosto. Esta atmosfera psíquica influencia aqueles que te rodeiam e pode operar à distância.

Quando penetrares neste arcano, que se não confia a esmo, tu conhecerás o segredo do Poder da atração e tu serás servido por forças misteriosas.

À medida que o Templo da Iniciação se abrir para a tua alma, ainda mais poderes surgirão em ti, a tua vista ainda mais se abrirá sobre Mundos que tu não conheces, mundos que tu não suspeitas.

Teu horizonte é limitado e tu sofres, mas cada passo dado sobre o caminho te animará diante de horizontes infinitos, banhados de santa luz. Mesmo a custo verás quanto este ser humano que te aparece como centro de tudo é pouca coisa no conjunto dos mundos.

Então, convencer-te-ás de qual o teu verdadeiro lugar no Universo e que não tens valor senão de seres uma célula consciente nas lutas sem fim na vida.

Por que terás orgulho? Quem és tu neste cosmo imenso? Considera a tua pequenez e mede-te com o infinito. Perderás todo este orgulho mesquinho, estas vaidades insuportáveis, que ontem te pareciam importantes; desde hoje te convencerás de um fim mais alto e mais nobre.

Mas, se esta contemplação é mortal à tua vaidade, quanto a tua vaidade perderá em força! Pequena célula consciente, convencer-te-ás desta idéia sublime de que tu és submetido ao Ritmo, ou melhor, aos Ritmos, e que eles são os mesmos do átomo até ao astro. E, como tudo o que te rodeia, serás submetido aos Ciclos imutáveis sob o seu aspecto mutável!

* * *

Vê o Ciclo das estações: eis as horas de inverno; tudo nos parece morto sobre a Terra, e não há mesmo mais razão de esperar; as flores e as folhas estão mortas. Depois, passa um pouco de tempo; a alma desperta de um pesado sono e, na Natureza, os tenros rebentos de Março saltam dos nós do bosque morto. É a primavera, é a esperança, é a promessa de vida nova, é a certeza das colheitas próximas.

E, cedo, eis aí o sol brilhante que faz amadurecer as colheitas douradas; todas as flores estão abertas; os frutos estão prestes a amadurecer.

Os longos dias ardentes passam e o outono, rico dos frutos que a primavera nos prometia, leva-nos a realizações esperadas.

A mocidade e as flores passaram e resta apenas a disposição de se preparar para o inverno.

Mas, este inverno da velhice e da morte corporal, é também para ti a estação de repouso e da recompensa, porque tu poderás fazer ricas provisões de felicidade e de bem para tua evolução.

E esta evolução ainda continuará os Ciclos começados, sempre unidos às tuas aquisições, aumentando o resultado de teus corajosos esforços.

À medida que tu fizeres esta maravilhosa ascensão, tu te envolverás mais intimamente com os Ritmos superiores, tu te compreenderás melhor, e melhor expandirás o teu coração, esclarecendo a tua inteligência. Sentir-te-ás em fraternidade com todas as harmonias grandiosas da Criação, que serão para ti um contínuo enervamento. Estes mundos te dirão qual a força misteriosa que dirige neste vasto éter e o teu desejo será apenas de estares de acordo com as harmonias divinas.

A estas forças, enfim conhecidas, farás um apelo. Elas te responderão. Tu te sentiras, sem cessar, inundado de seu poder.

Dar-te-ão elas um poder, um apoio do qual tu não tens a idéia, e este apoio te dará uma felicidade sem sombra, a alegria do dever consentido com o coração consciente e livre. E, pelo imenso éter e por todas as criaturas, sentirás a presença de Deus, que criou todas estas coisas e lhe deu estas leis, cuja beleza perfeita nos deslumbra.

Voltando ao mundo conhecido, conceberás por toda parte uma mesma vida, um igual equilíbrio, matizado segundo diversos modos, mas sempre semelhante e dirigido por uma eterna justiça.

Compreenderás que a tua existência atual, com seus dolorosos sofrimentos e os seus prazeres, é a conseqüência legítima das tuas existências passadas. Tu te submeterás sem murmúrios. Aceitarás as condições más como dívidas a pagar, e as experiências que terás de sofrer serão preciosas porque elas mais depressa te libertarão do pesado fardo da vida. Que alegria nos sentimos cada dia mais livres, mesmo para com uma crença benevolente! Este pagamento é a condição de tua vida, de toda a vida. Mas, a Iniciação te permitirá adquirir mais depressa o próprio domínio, mostrar como deves dar um passo mais ligeiro para estas magnificências, que parecem te chamar e te chamam com efeito.

Cada passo que deres conduzir-te-á para o mundo encantado da perfeição. Sairás da tormenta ou serás tragado por ela. Dissiparás as forças más que pesam sobre ti. Quando conheceres as causas de tudo isso que te acontece, não poderás mais conhecer o desespero, pois que tudo é justo e útil. Passarás do pessimismo ao otimismo e a face do mundo será mudada para ti.

* * *

A alegria, que eu te prometo com certeza, virá mais depressa ainda do que pensas se fizeres por ela um esforço contínuo e se uma Fé viva te sustentar sobre o caminho. A Fé e a Felicidade estão no conhecimento da vida, de seu fim, de seus verdadeiros interesses. Adquirido este conhecimento, chegarás necessariamente a uma outra concepção, amarás as tuas dores passadas.

A meditação e a reflexão, que te parecem muito austeras, serão duas amigas, duas irmãs cheias de ternura que te esclarecerão o caminho.

Trabalhar, meditar, perseverar, adepto futuro, que já te sentes chamado para a Iniciação. É por este meio que te será confiado o Grande Segredo. É incomunicável, dizem os adeptos; e eles têm razão. Primeiramente, esta asserção afasta do caminho os curiosos vãos que não procuram no trabalho senão um divertimento mais sábio do que os prazeres mundanos. Mas, eles têm razão ainda porque seria absurdo imaginar a Iniciação como uma lição a aprender, depois da qual se possuiriam poderes inauditos e forças miraculosas.

É preciso fazer, analisar, adquirir por si mesmo os conhecimentos necessários, desenvolver a acuidade dos sentidos à nossa percepção habitual.

O trabalho pessoal é inevitável; é um longo estudo, que parece árido para alguns, mas que se torna fácil para outros que se entregam a ele com fé; é a própria fé que te ajudará.

Para descobrir o Grande Segredo, estuda-te; desenvolve paralelamente o teu espírito e o teu coração. Estas forças que queres possuir para teu bem e o de teus irmãos, estas forças estão em ti e ao redor de ti; aprende a procurá-las e a descobri-las.

A Natureza está diante de ti como um imenso livro aberto, cujos ritmos sonoros e doces te darão a lei dos outros ritmos pelos quais palpita e se move a vida. Estuda e percebe estes ritmos. Eleva-te para Aquele que os tem fixado com um gesto de sua mão e um sopro de seus lábios.

Procura, e tudo te mostrará Deus, como as mil peças de espelho quebrado te mostram o mesmo sol. E quando tiveres sentido esta unidade do Universo é que virás a ser um Iniciado e que a vida, para ti, terá um sentido novo e inesperado.

Verás que todos os seres são ligados e que seu esforço deverás ser comum. Teu dever é, pois, o de te devotares, ajudares aos outros a encontrar a praia calma que os salvará da tempestade; teu dever é amar os teus irmãos. Já o teu coração sentiu o teu apelo poderoso de altruísmo. Tu não esperas senão conhecer-te melhor, para dares o melhor a ti mesmo, tuas forças, teus sentimentos, teus pensamentos. É assim que tu viverás na alegria.

* * *

O fim que procuras é grandioso; é aquele que tem sido visado por todos os Iniciados; para atingi-lo, desenvolve tua vida interior, tão rica em ensinamentos pessoais. Encerra-te na tua vida, na tua torre de marfim, no teu asilo interior que não deixa dispersar na vaga turbilhonante do mundo os tesouros de teu coração e de teu pensamento.

À medida que subires os degraus desta torre, sentirás primeiramente a imensa alegria do esforço: depois, gozarás, durante longas horas, esta alegria do bem pressentido que se goza de fazer esta felicidade pelos segredos descobertos no livro aberto da Natureza, esta quietude imensa, longe das agitações mundanas e que nos permitem sentir todas as pulsações do nosso coração, todos os movimentos da Natureza, todos os ritmos e as imagens que fazem do Universo um poema imenso e que nos encanta pela sua beleza. É a alta morada da meditação, e esta meditação profunda entrega-nos, sem cessar, às vistas maravilhosas, aos segredos que não imaginamos.

Mas é preciso que tornes a descer imediatamente, não te deixando embeber pelo doce ópio de um misticismo que te faria abandonar a terra e faltar ao teu dever. É preciso equilibrar a Fé pela Ciência e o Sentimento pelo Trabalho.

Todos os nossos deveres estão sobre a Terra; ainda não chegou a hora da nossa libertação. Devemos compreendê-la sem murmúrio e com alegria evoluiremos. Certamente, subindo os degraus da tua torre de marfim, abandonarás, como um fardo muito pesado, as perturbações, as agitações, os egoísmos que te prendem sobre a terra. Mas, uma vez desembaraçado deste fardo, quando tiveres desenvolvido a acuidade de tua sensibilidade, escutarás melhor os apelos daqueles que sofrem e que choram; apurarás os ouvidos para eles, ficarás comovido e, num lance fraternal, voltarás a subir os degraus que tens diante de ti, para tomares em teu coração toda a miséria e toda a dor.

Sentir-te-ás chamado a fazer uma obra útil para conduzires mais felicidade e mais luz, primeiramente ao teu lar, ao teu país, à tua raça, a toda à humanidade.

Teus irmãos têm necessidade de ti. Não resistas ao seu chamado.

* * *

Não é para si só que o Iniciado recebe a Luz. Recebe-a, difundi-a em torno de si como o diamante se coroa de fogo e de irradiações. E estes fogos não lhe pertencem. Vêm deste sol sublime onde o próprio espírito não pode atingir. Não concebas pois orgulho do saber que vais adquirir. Espalha-o e sê feliz do bem que verás florescer. Lutarás com todas as tuas forças contra a vaga sombria das idéias falsas que ensombreiam e entristecem a tua atmosfera. Infundirás a serenidade e a ternura nessa multidão que geme na sombra. Dá-lhe o que tu sabes. Teu dever ideal é sustentar aqueles que enlanguescem e se deixam vencer sem esperança e sem fé, desesperados, cansados, sem coragem. Tu te esforçarás para realizar um ideal que vive sempre latente no seu cérebro e no seu coração, porém que está enterrado sob tantos escombros que não podem formular o pensamento dele, nem tentar realizá-lo em uma ação social.

Todos estendem os braços para um amanhã melhor, que suprimiria a luta das classes e os atritos econômicos, e que faria desaparecer as guerras e extinguir todos os ódios. É aos adeptos que pertence o direito de responder a este apelo desesperado.

A humanidade, ansiosa e dolente, suspira na sombra espessa. As necessidades da hora criam para nós deveres novos. Cabe-nos fazer a luz e a harmonia aí onde eles fazem falta.

Adepto, eis aí o teu ideal. Tu terás o poder de responder e serás ajudado para realizá-lo. A hora soou para ti. Tu deves trabalhar mais do que aqueles que trabalham sem esperança e sem fé.

Apressa-te, pois, se a tarefa é rude, a recompensa ultrapassa a tua esperança.


(*) Excerto do livro A Ciência Secreta